Blog atirado aos insetos

Atirado aos insetos

Quem segue quem no seu Twitter?

A giseleh colocou lá no Twitter dela o link para o mapeamento de sua rede de amigos no próprio Twitter. Resolvi fazer o mapeamento da minha rede de contatos no Twitter e o resultado está abaixo (fig.01). O site utilizado foi o TweetWhell e dá para ver, ainda, quais dos seus contatos estão ligados entre si (fig.02).

TWITTER: ambiente paranóico ou social?

O uso dado às ferramentas que estão disponíveis na rede sempre gera uma boa discussão, visto que as pessoas se apropriam cada vez mais de suas funcionalidades para suprirem suas necessidades, anseios ou, simplesmente, para o entretenimento. Acabam por dar usos dos mais inesperados aos sistemas que surgem na Web.

O Twitter é uma destas ferramentas que tem recebido uma atenção diferenciada dos internautas há alguns meses no Brasil. A ferramenta surgiu em 2006 e no ano passado já crescia consideravelmente o número de contas mundo afora. No Brasil, o número de adeptos ao Twitter foi crescer de forma expressiva apenas neste ano.

A idéia inicial da ferramenta é responder a pergunta O que você está fazendo? A resposta/postagem deve ter até 140 caracteres e, por isso, o sistema é também conhecido como microblog. Os usuários criam contas para que suas respostas possam ser seguidas por outros. Um tanto paranóico, não?

Mas, o que estaria levando as pessoas a utilizarem tal ferramenta a ponto de disponibilizar a outros contatos, conhecidos ou não, seus afazeres? Formando assim mais uma rede social ligada pelos cotidiano dos internautas.

O uso que dou ao Twitter é basicamente para interação social. Não tenho a intenção de seguir contas de agregadores de notícias, que seria outro uso dado ao sistema para divulgar links de matérias para que possam ser seguidos. Até tentei seguir estes Twitters de notícias, mas acabei desistindo por dois motivos: acho os feeds mais eficientes para essa finalidade; e, também, porque prejudicou que eu seguisse as pessoas das quais acompanho as contas, devido ao grande número de atualizações que o Twitter de notícias fazia.

Porém, o que me interessa para esta postagem é a interação social mencionada acima. Como se dá esta interação social? É neste ponto que, agora, vejo no Twitter uma possibilidade de socialização que eu não possuía na Internet, mesmo nos sites de relacionamentos como Facebook ou Orkut. Aquela paranóia que mencionei de seguir as pessoas e de ser seguido passou a criar a possibilidade de criar o imaginário de um ambiente virtual social para conversar com as pessoas.

Mas, isso é possível? Como se dá este ambiente virtual social?

As pessoas que sigo no Twitter, cerca de 20 contatos, possuem o perfil profissional um tanto parecido com o que escolhi a partir deste ano. Considerando que a academia passou a ser o meu trabalho. Esta vida acadêmica tem exigido uma grande dedicação à leitura, pesquisa e produção de textos para diversos fins científicos. Este é um trabalho solitário, pois exige uma concentração e, também, pelo fato de ver que as pessoas que acompanho, em sua maioria, vieram a Porto Alegre para estudar e passaram a viver só em apartamentos, assim como eu, envoltos de livros, artigos e dados científicos. Então, o Twitter passou a ser uma válvula de escape para que eu possa construir este imaginário de socialização, já que ali recorro em meus tempos de dispersão entre uma leitura e outra, um blog ou outro, um dado ou outro, para simplesmente escrever coisas sem objetivos específicos e, também, para ver o que as pessoas andam fazendo. Por possuirmos perfis semelhantes, é normal que nossos interesses passem a ser o mesmos e, por isso, acabamos por encontrar até informações úteis para os nossos trabalhos, um no Twitter dos outros, como num diálogo qualquer no momento do intervalo da sala de aula que pode ter fundamento ou não. Diria que o Twitter tem cumprido esse papel de intervalo, de momento de socialização, para que eu possa continuar o meu trabalho e não acabe louco por tanto estudo, quando a única interação que tenho para recorrer na maioria dos dias da semana é através da máquina.

Então, além de paranóico, o Twitter estaria cumprindo o papel de terapeuta, amigo? Não sei, mas as pessoas que ali estão, compartilham seus afazeres e que as vezes passam a interagir comigo, em um afazer ou outro, diria que sim, estão cumprindo um papel social em minha vida.

O Twitter serve pra eu me socializar, sem objetivos previamente estabelecidos ou planejados através de metas traçadas. 

O Twitter é um ambiente de socialização. :)

*exemplo de informação útil neste link vista no Twiiter da Raquel.

Está com problemas para assistir vídeos AVI no seu MAC?

Para quem está tentando assistir vídeos AVI no Mac OS X e não consegue ver a imagem ou escutar o som, será necessário baixar dois Codecs que coloco aqui os links. Principalmente, para compartilhar o segundo que levei horas para encontrar na versão para o OS X.

Primeiro, será necessário baixar a última versão do DivX For Mac que pode ser baixada aqui. Para instalar, abra o arquivo e siga as instruções.

Depois, será necessário baixar o Codec AC3 for Mac que pode ser baixado aqui. Para instalar, abra o arquivo e arreste os dois pacotes para as pastas indicadas pelas setas.

Basta instalar esses dois Codecs e pronto, todos os seus softwares para assistir videos já estarão rodando perfeitamente com audio e video :)

Político quer processar blog novacorja.org

Um possível candidato nas próximas eleições em Porto Alegre está querendo processar o responsável pelo blog novacorja.org. O motivo seria os comentários feitos a respeito de sua pessoa depois da postagem de um texto enviado pelo próprio candidato com muitos erros de português. Nesse meio tempo, na evolução da conversa nos comentários, foram levantadas outras questões em relação a dois partidos e publicados alguns e-mails recebidos e enviados pelos partidos e candidato.

O político já tem advogado, já foi postado no blog o que ele estaria requerendo e a resposta do novacorja.org à ação que vem se construindo.

A indicação das duas postagens foi da colega Lívia já que analiso a questão das conversações nos blogs. Vale a pena ler os comentários para se perceber o quanto são levados a sério e, também, por serem um tanto cômicos.

Ombudsman perde espaço e Folha perde o ombudsman, mas quem perde mais é o leitor

Na última semana estive ocupado com algumas tarefas acadêmicas que nem fiquei sabendo que Mário Magalhães deixou o cargo de ombudsman  da Folha.

O motivo:

A Folha condicionou minha permanência ao fim da circulação das críticas diárias na internet; não concordei; diante do impasse, deixo o posto[…] (MAGALHÃES, Folha de São Paulo, 06/04/08)

Vejo que a Folha retrocede com a sua decisão de encerrar as colunas diárias. A coluna na Internet permitia que o ombudsman possuísse mais espaço para o seu trabalho e, ainda, podia ter um canal direto com seus leitores. Claro que os leitores poderão continuar enviando e-mails ao novo ombudsman. Mas, como todo blogueiro e pessoas que trabalham com Internet sabem, a atualização de uma página é crucial para que os Internautas continuem a visitando. Agora, com atualizações apenas semanais, a Folha poderá perder esse público. Principalmente, os que acompanham o veículo apenas online.

Magalhães já antecipou essa preocupação em relação aos leitores em sua última coluna, mas o novo ombudsman, Carlos Eduardo Lins da Silva, do programa Roda Viva (TV Cultura), não vê da mesma forma:

Não acho que seja uma coisa importante. Tudo que é dito na crítica diária pode ser dito na coluna publicada no jornal. O leitor não ficará desinformado. (Comunique-se, 15/04/08)

Ou o jornalista considera apenas importante a questão da informação ao leitor, ou ele não o está considerando esse aspecto da sua participação. O que é ainda pior.

Então a Folha perde o ombudsman, o ombudsman perde espaço. E o leitor perde o que? Perde a crítica e a participação.

Mestrado em Jornalismo

Vi lá no GJOL que a UFSC divulgou o edital de seleção para a turma de 2008 de Mestrado em Jornalismo. Esta será a segunda turma do programa que teve sua primeira seleção no ano passado. Lembro de ler que esse era o único mestrado em Jornalismo no Brasil.

Veja abaixo as duas linhas de pesquisa do programa: 

  • Linha 1: Fundamentos do Jornalismo

Estudo dos pressupostos teóricos, princípios filosóficos, condicionantes e desdobramentos do jornalismo desde a modernidade. Privilegia-se nesta linha a observação do jornalismo como fenômeno específico dentro das sociedades complexas, com o objetivo de investigar sua fundamentação epistemológica e suas múltiplas dimensões conceituais. Considerando diferentes contextos espaciotemporais, a linha localiza o jornalismo em suas configurações como processo histórico e político, prática social, exercício ético e estético, mediação cultural, estratégia comunicativa, gênero de discurso e produção de conhecimento.

  • Linha 2: Processos e Produtos Jornalísticos

Estudos sobre o funcionamento do jornalismo a partir da análise de seus produtos e de seus processos de produção, com ênfase para as profundas mudanças porque passa a prática do jornalismo em decorrência da disseminação das Tecnologias da Informação e da Comunicação nas sociedades contemporâneas. Esta linha comporta pesquisas sobre os gêneros, formatos, conteúdos, linguagens, técnicas e tecnologias jornalísticas, assim como das organizações, políticas editoriais, rotinas, estratégias e mediações relacionadas aos seus processos de produção.

 

Conversando sobre jornalismo e novas mídias

No dia 12 de abril acontece em São Paulo a segunda edição do NewsCamp, uma desconferência sobre Jornalismo. Assim como a Ciranda de Textos, o NewsCamp também teve sua origem na Lista Jornalistas da Web.

Quem não puder ir até São Paulo para participar do evento pode acompanhar a “desconferência virtual”. Desde o final de março, rola blogosfera afora o “Esquenta do NewsCamp!“. A idéia é a de se fazer postagens sobre temáticas que se gostaria ver sendo discutidas no evento, como uma forma de se preparar para as discussões que por lá serão travadas. Além de servir como um ótimo aperitivo do que vai acontecer por lá, também é uma forma interessante de fazer com que pessoas que, como a gente, não terão como estar presentes, também possam participar das discussões.

Então, vamos lá… entrei… er, entramos  (vide rodapé do post) nesta conversa mediante provocação. Sam Shiraishi, do Nossa Via, colocou em pauta a discussão sobre nova e velha mídia, além de comentar um pouco sobre as especificidades do meio online. No post, ela sugere a idéia de que uma mídia absorve a outra, e que a nova geração de jornalistas estaria mais preparada para enfrentar essas mudanças. A partir disso, a Ceila Santos, lá no blog do NewsCamp, sugeriu que a discussão fosse continuada…

Dentro dessa perspectiva, talvez fosse ser interessante discutir no NewsCamp, também, a questão das novas ferramentas para comunicação na web, e no que elas podem influenciar na prática do Jornalismo. Será que o Twitter poderá acabar com o impresso? Será que joguinhos e entretenimento serão a grande tendência do online? As empresas jornalísticas que ficarem de fora das redes sociais terão condições de sobreviver?

A discussão de como a mídia irá lidar com essas ferramentas, e também com as participações espontâneas dos internautas, não deve ser vista como um mal que irá mudar o jornalismo como o conhecemos hoje. As possibilidades de interação entre os meios de comunicação e a sociedade, através das ferramentas da Web, devem ser vistas como uma extensão do jornalismo “tradicional” - um avanço, um complemento. Por exemplo, as contribuições que podem ser feitas nos espaços destinados aos comentários de alguns veículos podem influenciar na pauta desses mesmos veículos. Além disso, os links que alguns sites estão utilizando para blogs que comentam suas notícias através da ferramenta trackback também provocam pequenas mudanças no modo como encaramos as notícias. Este é o caso, por exemplo, dos jornais Público, de Portugal, e La Vanguardia, da Espanha (e muitos outros sites europeus) que utilizam a ferramenta Twingly para disponibilizar de forma automática links das postagens de blogs que fazem referência àquela notícia. A CNN.com usa a tecnologia do Sphere para linkar para posts de blog (conforme comentado pelo Thassius). No Brasil, a própria Agência Brasil já faz algo parecido, listando as notícias “mais blogadas” em sua página inicial (como informado pelo Gustavo D’Andrea). Então, o leitor mais apurado, que procura ver a discussão e repercussão daquela informação na blogosfera, poderá acompanhar as opiniões das pessoas que estão escrevendo e fazendo referência àquele texto. Ou seja, a notícia online já não termina mais na última palavra do texto, mas pode ser apenas o primeiro passo rumo à discussão sobre um tema, que pode ser comentado por qualquer pessoa que possua um blog, ou então, gerar discussões em redes sociais ou servir de pretexto para diálogos no Twitter.

O leitor tem outras formas de interagir com a notícia votando nas que ele julgar melhor, dando de certa forma o seu aval àquela informação. Uma outra forma, porém mais passiva, de voto, seria o seu simples acesso, pois há sites que disponibilizam em suas home pages listas das notícias mais acessadas, que podem acabar influenciando nos clics dos visitantes. Antes, quando se comprava um jornal impresso, as manchetes eram definidas exclusivamente pela redação dos jornais. Agora, o leitor passa a poder influenciar nas manchetes que irão para a capa num simples clicar. Com isso, tem-se conhecimento instantâneo e imediato do que está sendo mais lido pelos visitantes do site, e, mesmo que ainda sejam influenciados pelas manchetes sugeridas pela redação, há a possibilidade de uma notícia que foi julgada de pouca importância para a capa ir parar na página inicial.

Essas são algumas sugestões de assuntos que também poderiam ser abordados lá no NewsCamp. E também daria para discutir no que a interconexão em tempo real poderia contribuir para a prática jornalística - será que a web e suas ferramentas não abriria a possibilidade de construção de redações descentralizadas e produção colaborativa à distância de conteúdo?

Além de participar do Esquenta do NewsCamp!, este post também foi uma tentativa de escrita coletiva. O texto foi elaborado no Google Docs. A autoria de cada frase é indeterminada - o texto inteiro foi escrito por mim e pela Gabriela Zago.  

Moderação de comentários pode inibir a conversação

Quando estava preparando este blog, chegou um momento de sua configuração na plataforma WordPress em que tive de optar pelas questões de moderação de comentários. Tive dúvida de qual opção deveria escolher: a) deixar os comentários livres, sem qualquer tipo de moderação; b) moderar parcialmente, em que o autor do comentário precisaria ter um comentário previamente autorizado e depois poderia comentar sempre; e c) moderar sempre, em que todos os comentários deveriam ser autorizados, indiferente se o comentarista já havia sido moderado antes.

A minha escolha inicial foi a segunda, em que o autor deveria ser moderado uma única vez e liberar seu e-mail para futuros comentários. Optei por essa alternativa por dois motivos: evitar spams; e, principalmente, para ter conhecimento das pessoas que viriam a comentar. Isso tomando por base de que ninguém iria criar um e-mail falso para comentar. Por mais que saiba que existem fakes pela rede, não possuo uma audiência para tal preocupação.

Acontece que comento em blogs há alguns anos e tenho percebido que alguns seguem a mesma linha que eu escolhi, mas que há outros que você precisa ter todos os comentários moderados, indiferente se já havia feito um anterior que tivesse sido autorizado. Importante ressaltar que a maioria dos blogs não têm nenhum tipo de moderação, a não ser a necessidade de informar o e-mail que parece ser padrão da maioria dos blogueiros [acredito ser pela a mesma necessidade que tenho de saber com quem se está falando].

O fato é que essa questão dos comentários serem sempre moderados dificultam a conversação entre os comentaristas dos blogs. Por exemplo, você faz um comentário num post e outros os vão fazendo enquanto o autor do blog não está acompanhando. Então, quando o autor acessa a plataforma do seu blog irá autorizar todos os comentários [ou não] ao mesmo tempo e isso irá dificultar [praticamente impossibilitar] a relação de interação entre os visitantes do referido blog. Os comentários terão a possibilidade de se relacionar apenas com a postagem e interagir com o autor.

Vejo que o autor do blog perde um grande potencial ao moderar os comentários por completo. Pois, já vi e participei de muitos debates surgidos nas caixas de comentários de alguns blogs. Muitas vezes, os debates tomam um foco totalmente diferente do próprio tema do post, mas fica claro a sua importância e contribuição para o debate público.

Estou pensando em liberar totalmente a moderação de comentários do Web Research, mesmo que por enquanto seja necessário ter um único comentário aprovado para continuar comentando. Poderei continuar solicitando o nome e e-mail para saber quem está comentando, apagar os spams e lidar politicamente com os fakes, se surgirem.

Na verdade, nem deveria me preocupar tanto com isso com a audiência que tenho, mas a minha percepção veio de um outro blog que leio, de excelentes postagens, muitas vezes polêmicas, que dariam combustível pra bons debates. Acho que esse autor pode estar perdendo um espaço para discussão e evolução dos temas abordados em suas postagens.

Semanas atrás, fiz três postagens em cima de artigos que li sobre conversação através dos comentários que podem ser interessantes para quem deseja ler sobre possibilidades de interação e discussão existentes nos blogs. Os posts são “Conversação na Web é possível”, “Comentários possibilitam conversação” e “Comentários ocupam 30% da blogosfera“. Os três têm referências de alguns autores. Porém, nem todo o espaço de comentário irá gerar debates. A minha opinião de um dos motivos disso pode ser lida no post “Não Concordo” que publiquei em meu blog anterior.

O profissional do Silício quer cultura

Zero Hora (ZH) do último domingo trouxe uma reportagem especial sobre o que falta para que o Rio Grande do Sul forme o seu Vale do Silício. A reportagem diz que para os gaúchos entrarem no mundo da alta tecnologia é preciso que o Governo, o Empresariado e a Universidade possuam maior integração. Mas, nesses três aspectos, o que mais me chamou a atenção foram os pontos que devem ser trabalhados para que o estado atraia pessoas criativas que, segundo a ZH, é o perfil do profissional necessário para essa indústria.

Além de bons indicadores de segurança e educação, o local deve ter cultura em abundância. Acesso a cinema, teatro, música, restaurantes, casas noturnas é importante para atrair pessoas criativas – primordial na nova indústria. (ZH, 06mar08, p. 31)

Muito se discute na blogosfera sobre o perfil do futuro profissional de comunicação e de como irão se desencadear profissões como a de jornalismo. Deixando a discussão de lado, até por uma certa exaustão do tema, vejo nessa reportagem a necessidade que os atuais acadêmicos têm em se diferenciar cada vez mais. Lembro do quanto alguns professores da graduação já buscavam novidades para que tomássemos conhecimento das últimas tecnologias e de quanto deveríamos ser criativos.

A ZH levanta a questão de que para atrair tais profissionais são necessários aspectos um tanto “pós-modernos”, como cinemas, restaurantes e casas noturnas. Isso porque os profissionais do futuro estão cada vez mais descolados e necessitam consumir cultura. A questão é bem interessante, pois traz a tona o velho aspecto da educação, porém não mais a simples disponibilidade de escolas e universidades, mas sim temas voltados diretamente a cultura e à sua manutenção na sociedade.

Acho que ainda levará um bom tempo para que toda essa infra-estrutura cultural necessária se estabeleça por aqui, pois é necessário mais que cinemas e restaurantes em abundância. Vejo o Rio Grande do Sul como um dos estados mais ricos em cultura do Brasil, mas é preciso que o gaúcho se conscientize que precisa melhorar ainda mais seu modo de ver o mundo se deseja acompanhar os povos mais avançados. Deve-se deixar de lado o egocentrismo de que possuímos cultura enquanto é de alcance, ainda, de uma pequena “elite cultural”. É preciso olharmos para o nosso próprio povo para que possamos desenvolver o nosso estado culturalmente à mediada de não precisarmos nos preocuparmos em atrair profissionais criativos, pois aqui o teremos.

  • Amanhã, iniciam as aulas do mestrado da UFRGS. A primeira disciplina que terei aula é “Comunicação Interação Mediada por Computador” e, coincidentemente, a minha primeira aula será também com o meu orientador. Agora, com os debates que certamente ocorreram em sala de aula, espero poder discutir aqui mais sobre a Cibercultura.

Cuidado com os [não]blogs que você lê na Internet!!!

 

Os blogs têm sido algo cada vez mais usual em portais jornalísticos, como o ClicRBSG1Folha Online, etc. O julgamento das células-tronco no STF ocupou a mídia digital na tarde desta quarta-feira(5) e uma cobertura em especial me chamou a atenção do uso do termo blog.

cobertura a que me refiro é a do portal G1 que mantém uma seção intitulada de Blog ao vivo e que passou a tarde sendo atualizada com informações do julgamento no STF. A minha preocupação é se esse espaço do G1 pode ser considerado um blog. O espaço parece mais uma cobertura online, com notas rápidas de um acontecimento em que seu grande diferencial é a possibilidade dos leitores comentarem.

Preocupa-me porque vejo muito mais do que essa possibilidade num blog. Acredito que o principal diferencial de um blog é a liberdade de expressão permitida a qualquer sujeito, sem vínculos a interesses e linhas editoriais que qualquer veículo de comunicação possua. Não julgo as linhas editorias, pois penso que os veículos as devem possuir e, ainda, deveriam ser mais fortes nos seus pontos de vista. Acho que uma imprensa opinativa que por sua vez se torna interpretativa é muito mais fiel à informação do que uma simplesmente informativa. No entanto, cada um tem seu papel e essa cobertura feita pelo G1, esse espaço denominado de blog, não passa de uma estratégia de marketing, já que o termo parece estar em alta na Web, por tantos considerarem que os autores autônomos têm mais isenção com a verdade, por mais que interesses pessoais estejam atrelados à informação.

O meu medo é que o termo blog acabe como o interativo, como o Alex Primo expõe em seu livro da sua banalização, desde que a publicidade passou a utilizá-lo para criar slogans para os produtos, que seriam mais interativos.

No ano passado, houve uma grande discussão na blogosfera a respeito de uma campanha do Estadão que criticava a credibilidade dos autores de blogs e, agora, vejo que tomaram tal proporção que toda a mídia passa a utilizá-los para não perder espaço. Tanto que utilizam o termo para denominar seções de seus portais que nada tem a ver com um blog.

Então, seguindo a mesma linha da campanha do Estadão que dizia para ter “cuidado com o que você lê na Internet”, ao questionar se os autores dos blogs eram críveis, alerto:

Cuidado com os [não]blogs que você lê na Internet!!!

Mudança de endereço, de cidade, de vida…

No sábado, estou me mudando para Porto Alegre, onde irei fazer o mestrado. O momento é de grande realização, mas ao mesmo tempo de um pouco de receio. Estou mudando, literalmente, tudo em minha vida para trilhar esse novo caminho, como se iniciasse tudo novamente, depois de seis anos aprimorando uma carreira profissional no mercado. Acredito e já tive bons indícios de que estou fazendo a coisa certa. Assim, vou tranqüilo para dar início a essa nova fase. Aliás, o que seria da vida se nos acomodássemos?

  • Provavelmente, passarei alguns dias sem postar, pois a Internet no novo apartamento já está instalada, mas não configurada :P

BOLSA NO EXTERIOR: O post de ontem tratava de certa forma de uma preocupação que tenho do uso que se dá ao tempo. Bom, para aqueles estudantes e recém formados, que se preocuparam durante a faculdade com seu futuro profissional e estão aptos a fazer um estágio no exterior, passo adiante a dica que vi lá numa postagem do blog do Marcelo Träsel de uma oportunidade de se trabalhar como correspondente num programa de bolsa do Ministério de Relações Exteriores da Finlândia. (Pena que passei da idade)

Usando a Web com moderação na universidade e no estágio

A TV surgiu há pouco mais de 50 anos e lembro de alguns professores comentarem, durante a graduação, que o aparelho chegou a ser visto como uma solução para o analfabetismo no Brasil. A referência é feita porque há diversas possibilidades que estão sendo vistas na Internet, crenças de socializar a informação, estimular o senso critico, entre tantas outras formas de manifestações. No entanto, acredito que deve ser feita uma reflexão quanto ao seu uso pela sociedade e, principalmente, pelos universitários.

Mesmo que a TV tenha sucesso em alguns programas e canais que lidam com ensino, ela está longe das expectativas de resolver o problema da educação no mundo. Percebo que isso foi, também, por interesses capitalistas de estímulo ao consumo. Os canais de TV perceberam um caminho rentável na indústria do entretenimento. Por isso vemos tantos programas de diversão como as novelas, os reality shows, jogos, entre outros que não somam como poderiam contribuir programas culturais. Não que o entretenimento deva ser extinto da Web, mas a verdade é que, assim como a vida não é só trabalho, ela não é só diversão.

A Internet também pode estar tendo um mal uso pelos jovens muito exclusivo ao divertimento. Então, todas essas possibilidades de desenvolvimento cultural, do senso crítico e social, podem estar tomando o mesmo caminho da TV e acabar por não passar de mais um mídia de distração.

Obviamente que essa comparação parece um tanto absurda, pois eu mesmo escrevo aqui nesse blog de tantas possibilidades que já podem ser vistas no uso da Internet em prol da sociedade. Parece até um paradoxo, mas o fato é que também há um grande número de jovens que pouco se interessam por esse desenvolvimento e passam horas nos programas de chat e em sites de relacionamento como o Orkut deixando todo o resto de lado.

A questão me preocupa porque vejo e ouço muito falar de alunos, nas faculdades, e estagiários, em veículos de comunicação, tentando burlar os sistemas de supervisão de conteúdo para acessar sites de relacionamento e programas de chat, durante períodos que não deveriam ser destinados à diversão e  sim ao trabalho ou estudo.

Na verdade, penso que tais supervisores de conteúdo nem deveriam ser necessários, pois os alunos e estagiários ideais estariam preocupados, ressalto – no momento de trabalho ou estudo – com seu desenvolvimento profissional ou acadêmico.

Acho que deve haver um equilíbrio e que podemos aproveitar as possibilidades da Web para todos os fins, tanto diversão como, principalmente, desenvolvimento humano.

Então, seguindo a linha do nome da comunidade do Orkut “Saia do Orkut e vá ler um livro”, da campanha feita pela MTV “Desligue a TV e vá ler um livro“ e, ainda, de uma postagem de André Deak, repito a mesma frase citada por ele de uma campanha de Roberto Taddei:

TROQUE SEU ORKUT POR UM BLOG

Os alunos, em especial os de Comunicação, poderiam aproveitar mais o seu tempo na universidade para aprimorarem seus textos, discutirem temas relevantes com outros acadêmicos de universidades distantes ou da sua própria escola. Os estagiários deveriam aproveitar o seu tempo no estágio para tomar conhecimento do maior número de tarefas possíveis, criarem uma rede de contatos [profissionais e não festivos].

Enfim, acho que deve ser feita uma reflexão em todos os níveis, pois também vejo profissionais experientes cometendo os mesmos erros. A Internet pode ser um caminho construtivo, mas não deixe a sua carreira ser prejudicada por ela.

  • vale ler também essa postagem da Gabi e ver as dicas que ela dá, brilhantemente, para futuros profissionais que estão prestes a se formar.
  • outra dica é ler – os dez erros imperdoáveis cometidos num estágio de uma notícia do Universia

Oscar tem nova cara depois da greve dos roteiristas

A festa do Oscar de ontem surpreende muitos espectadores que aguardavam a repercussão da greve dos roteiristas que quase causou o cancelamento do 80º Academy Awards. O número de não-americanos premiados foi realmente fora do comum e, pelo o que pude observar, a maior diferença das festas anteriores foi a comemoração de alguns dos premiados.

O Oscar desse ano pareceu um tanto mais humano, em que as pessoas vibravam de forma autêntica ao serem chamadas para receber a cobiçada estatueta. A premiação que mais me emocionou foi a de melhor atriz, em que Tilda Swinton demonstrou uma alegria espontânea e que encantou o público. A outra surpresa, que teve uma comemoração a parte na blogosfera, foi a da blogueira Diablo Cody que ganhou melhor roteiro. O fato já foi bem comentado numa postagem de Gisele Honscha.

Mas, como nem tudo são flores. O Oscar desse ano teve uma homenagem que, por mais que pareça ser merecida, foi uma “forçassão” de barra. Falo do anúncio de um dos premiados ter sido feito por soldados ao vivo de Bagdá. Acho que, na tentativa de homenagear os combatentes, os organizadores passaram uma certa impressão de que a Academia apóia as ações dos EUA no Iraque. O que é recriminado por quase todo o mundo. Não ficaria surpreso se no próximo documentário de Michael Moore fosse denunciado um patrocínio das forças armadas norte-americanas ao evento desse ano. Só faltou eles aproveitarem cenas do filme “Live from Baghdad” para dar mais emoção à premiação :/

Mas com isso, lembro também de um filme que assisti novamente há poucas semanas, com a intenção de identificar algumas questões de um livro que havia lido. O filme é “Platoon” e o livro é “A Cultura da Mídia”, de Douglas Kellner, que deveria ser lido por todos que gostam de apreciar a arte do cinema. O autor faz brilhantes referências da Indústria Cultural com alguns filmes e fenômenos norte-americanos, como a Madonna, por exemplo. Referências que nos fazem abrir os olhos para certas questões levantadas na arte com a intenção de esclarecer ou manipular ao consumo desenfreado.

Ao ler o livro, notei que Platoon mostrou o horror que foi a guerra do Vietnã e não tapou o sol com a peneira. As cenas reconstruíram confrontos chocantes entre os soldados americanos e vietnamitas. Também, não escondeu diversos crimes de guerra cometidos pelos próprios americanos, como assassinatos e estupros. Há ainda a questão do grande consumo de drogas que pareciam aliviar a dor dos soldados. O filme recebeu quatro estatuetas em 1986, premiado como melhor montagem, som, direção e, inclusive, melhor filme.

O interessante é que existem diversos filmes que tratam do tema da Guerra do Vietnã, mas o único premiado vaio a ser um de produção independente que foi contra os interesses dos próprios americanos, já que denunciou os horrores que estavam sendo feitos com aquele e seu próprio povo.

O Oscar de 2008 teve uma mudança com a greve dos roteiristas, que provavelmente não foi muito bem vista por muitos produtores de Hollywood. No entanto, os atores apoiaram mais do que a greve de seus colegas, incentivaram o cinema internacional e as produções independentes com as premiaçnoes dessa edição.

Agora, falta esperar o que virá na edição de 2009, já que se fala numa greve de atores. Quem sabe o Brasil não aproveita a oportunidade para tentar emplacar finalmente um filme no Academy Awards?

Microsoft se rende ao open source

A Microsoft, depois de mais uma tentativa de comprar a Yahoo, parece tomar atitudes desesperadas para não continuar perdendo mercado no setor de desenvolvimento de sistemas. A empresa parece se render ao open source e anuncia que irá liberar o código fonte de alguns programas, como o Windows Vista e  Office.

O mais legal é que eles prometem não processar os programadores que desenvolverem seus códigos e os distribuírem sem fins comerciais.

Mas, como esses caras da Microsoft são legais, não? Deixam todo mundo desenvolver seu produto, mas só eles podem explorar isso comercialmente. Isso está me parecendo uma política open source de via única, se é que existe tal possibilidade. Não que eu ache que os programadores possam se apropriar do código e vender os seus avanços. Mas, daí vir a desenvolver sistemas para que a própria Microsoft venha a cobrar dele mesmo pelo sistema aprimorado no futuro me parece um tanto impróprio.

Como é de conhecimento da maioria, a Microsoft passou anos entregando produtos com problemas para depois continuar vendendo seus updates. Sem demagogia, sei que as empresas precisam faturar, mas a política da Microsoft em relação aos seus clientes nunca foi muito diferente do que uma simples transação (exploração) comercial. Agora, esperam contar com os hackers da rede para a ajudar desenvolver seus sistemas?

Lembro de estudar que esse conceito de open source foi o que possibilitou a rede como ela é hoje. O próprio trabalho do Tim Benners-Lee, que deu origem à Web, foi iniciado muito antes por diversos hackers distribuídos pelo mundo.

Mas, a política adotada por todos aqueles programadores que construíram a Internet era algo mútuo de diversas pessoas, instituições e até mesmo empresas. No caso da Microsoft, estamos falando do desenvolvimento dos softwares de uma única empresa e, por isso, pode ser que ela enfrente problemas para conseguir tais colaboradores.

No entanto, não podemos negar o poder que a empresa tem no mundo. Já que a grande maioria é adepta ao Windows e, talvez, por isso pode ser que ele obtenham sucesso em conquistar desenvolvedores que buscam por um status na rede.

Porém, tudo isso é suposição.

O fato é que a Microsoft lança mais uma carta para ver se continua respirando.

.: Video Highlights from the Press Conference

Comentários ocupam 30% da blogosfera

O artigo “Leave a Reply: An Analysis of Weblog Comments”, de autoria de Gilad Mishne e Natalie Glance, traz resultados de uma pesquisa com uma amostra gigantesca, em que trabalham muito as questões quantitativas dos comentários para suas analises. No texto é possível se ter uma boa dimensão do espaço ocupado pelos comentários na blogosfera, que segundo a pesquisa atinge algo acima de 30%.

Através de uma minuciosa explicação dos comentários nos blogs, o texto faz uma interessante relação entre os comentários e a popularidade dos blogs, utilizando-se de ferramentas como o Sitemeter para sua pesquisa.

Mas, também salienta as disputas nos comentários que geram controvérsias estimulando o debate. Chegam a identificar os principais tópicos do debate, entre eles, Iraque , Casa Branca, Constituição, Suprema Corte, etc.

One class of comments we found particularly interesting was the set of disputative comments, comments which disagree with the blogger (or with other commenters), forming an online debate. We hypothesized that these comments can be used to identify controversial topics, authors, newspaper articles, and so on. (P. 6)

Essa questão, em particular, também me desperta interesse, já que surge uma conversação entre esses blogueiros que procuram seu espaço. O apontamento dos principais tópicos, como foi feito, leva-me a pensar se não seria interessante tal metodologia para se estudar a conversação na rede, identificar os principais tópicos e ver se os comentários têm ligação. Mas, não numa amostra do tamanho desse artigo, seria algo humanamente impossível. 

New York Times é ultrapassado pelos blogs

Em uma postagem anterior, onde respondi ao meme “Blogar…uma profissão?” estendeu-se pelos comentários uma discussão interessante relacionando uma outra questão que são os blogs e jornalistas.

Bom, no comentário da Tina ela coloca que nos Estados Unidos, onde vive, as pessoas estão buscando informações nos blogs e não chegam a questionar se são escritos por jornalistas ou não.

Acredito que os jornalistas são os profissionais que estão aptos do conhecimento a fazer jornalismo. Porém, depois de ler uma postagem de André Lemos e ter a informação de que, segundo uma notícia do Telerama, as pessoas estão buscando mais informações nos blogs do que no próprio New York Times, vejo que a Tina tem razão no que tem ocorrido por lá.

Agora, basta saber por quem são escritos esses blogs e se não são os próprios jornalistas que estão se destacando nesses meios e, ainda, continuarei acreditando que os blogs podem ser um local onde “Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social”.

Cansado… Ditador Castro renuncia ao poder

O último líder comunista do mundo estaria cansado do seu próprio regime e estaria cedendo, ainda em vida, a abertura de seu país que há décadas caminha na pobreza de um embargo mundial? O fato é que Fidel Castro Ruz renunciou ao governo de Cuba e disse que não aspira e nem aceitará mais ser o chefe de estado.

O anúncio oficial foi feito em carta escrita de próprio punho pelo ditador que ocupou o poder por 49 anos nesta segunda-feira (18), às 17h30min do horário local. A íntegra da carta pode ser conferida neste link do site Prensa Latina.

A saída de Fidel Castro do poder não muda nada de imediato, mas a sua saída a 5 dias do parlamento escolher o novo chefe de estado deixa ao país a possibilidade de fugir do embargo mundial, principalmente norte-americano, já que Castro foi por anos considerado o inimigo político número 1 da Casa Branca.

O irmão de Castro que ocupa o cargo interinamente, desde que o ditador se afastou em 2006, não têm a mesma simpatia no partido. [Mas,] Raúl Castro Ruz não deverá ser nomeado [facilmente] o novo presidente e isso traz grandes possibilidades ao povo que está cansado do sofrimento de anos de isolamento econômico. [Já que Raúl desempenha uma política diferente do irmão].

Com a saída de Fidel Castro do poder, o processo de abertura de Cuba deverá ascender e pode ser que o próprio ditador já o quisesse, pois poderia continuar ocupando o cargo, mesmo que afastado, até a sua morte. Mas, antecipa a história e poderá ver em vida mudanças em seu país que ele próprio lutou décadas contra, que é a instauração do regime capitalista em Cuba.

O fato é que mais um regime comunista pode estar se encerrando com a era Castro e tendendo ao capitalismo, pois há alguns anos que Cuba desenvolve seu turismo e trabalha para receber investimentos externos em prol do desenvolvimento econômico.

Se o caminho do capitalismo é o correto, saberemos daqui a alguns anos. O certo é que esse regime é mais livre, onde as pessoas exercem melhor seu direito de cidadão.

A própria China, que mesmo continuando comunista, já apresenta grandes melhorias nesse sentido de liberdade ao migrar ao capitalismo. Pena, que parece que sua crescente economia possa estar entrando em recessão depois de anos, já que a inflação por lá não para de crescer.

meme: Blogar… uma profissão?

Gabi me convocou a responder ao meme “Blogar… uma profissão?”. Na postagem em que faz tal convocação (provocação :p), ela também se refere ao meu último texto: “Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social”. Por isso, me sinto na obrigação de responder ao meme relacionando algumas questões a esse post anterior.

Já vou logo afirmando que, em minha opinião, blogar não pode ser algo visto como profissão. Pois, acredito que os blogs nada mais são do que um suporte técnico que permitem qualquer um publicar na Internet. Na minha postagem anterior, destaquei algumas diferenças entre jornalistas, especialistas e público em geral, para deixar claro que cada um tem o seu papel na sociedade e que, por isso, não acredito que podemos considerar blogueiros como jornalistas. Esses, nada mais são do que pessoas publicando sobre temas que lhe interessam e mesmo que tirem, em algum momento, a audiência dos jornalistas, por sua proximidade aos fatos, por exemplo, não quer dizer que tais pessoas estejam desempenhando a função de jornalistas.

Elas nada mais são do que pessoas que têm um espaço para publicarem suas opiniões, escreverem sobre os fatos que lhe interessam. O que é algo extraordinário no que diz respeito à democracia no mundo. Mas, como dito em minha postagem anterior e como a própria Gabi falou na postagem dela, existem diversas questões éticas e de conhecimentos trabalhados por jornalistas que os diferenciam das demais pessoas que publicam no blogs. A principal delas, em meu entender, seria a questão do compromisso que um jornalista tem em escrever uma notícia. Porém, assim como disse antes que o jornalista pode ser um repórter cidadão, ele também pode manter um espaço sem ter os compromissos que ele têm num veículo, desde que deixe claro o que é jornalismo e o que é opinião. Pois, ele tem obrigações éticas frente ao público.

Vejo nos blog grandes possibilidades para todas as profissões, mas não uma nova profissão. Não existira uma nova profissão de blogueiro, mas sim o jornalista que posta, o escritor que posta, o cronista que posta, o chargista que posta, etc. Ou seja, todos profissionais de diferentes áreas que têm um novo suporte para falar do que bem entenderem.

A minha área é o jornalismo e vejo nos blogs alternativas de jornalistas se moldarem a tornar a tarefa de informar algo mais democrático. Na verdade, nada diferente do que já deve ser feito nos atuais veículos em que desempenhamos nossas funções, mas não podemos ser demagogos e desconsiderar que muitas vezes estamos engessados a linhas editoriais. A ênfase da profissão de jornalista não muda com os blogs, o que muda é o suporte técnico e as possibilidades de melhor desempenharmos nossas funções.

Vi em alguns blogs que responderam o mesmo meme que há uma discussão quanto ao diploma de jornalista relacionado a esse tema. Acredito que não seja necessário falar disso, pois está claro para mim que todos podem blogar (mais o deveriam fazer), mas que só jornalistas podem fazer jornalismo.

Não vejo os blogueiros como uma ameaça ao jornalismo, talvez o fossem para as empresas jornalísticas. O jornalismo estará seguro pelos jornalistas que possuem diferenciais de anos de desenvolvimento da profissão e tornam a função de extrema importância à sociedade. Nunca podemos deixar de esquecer de que o jornalismo têm o compromisso e a função com a sociedade de mantê-la informada de temas como política, segurança pública, saúde, etc. Por mais que os blogueiros possam fazer isso, serão os jornalistas que o farão em compromisso ao juramento de sua profissão distanciando-se de simples opiniões e interpretando para informar com ética e serenidade.

Para finalizar a resposta ao meme, se consideramos a tarefa de blogar uma profissão, também devemos considerar profissionais as pessoas que se reúnem para discutir e opinar sobre temas diversos. Por que não da profissão de “discutidor”?

Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social

Há uma grande discussão na rede quanto à função de jornalistas para a circulação de informação. Desde que surgiram os blogs, tornou-se muito fácil a qualquer pessoa estar publicando informações na Internet.

Essa facilidade tem sido utilizada por muitas pessoas e, com isso, surge a discussão de quem está mais apto a escrever sobre determinado assunto: o especialista da área, no caso de assuntos técnicos como, por exemplo, economia; ou, o jornalista que, ao menos na teoria, busca passar informações se afastando de opiniões ou as deixando claras, quando aparecem, ao público.

Existe, ainda, a questão do tempo/espaço. Com a rede, tem-se acesso às informações dos mais diversos locais e os portais, por exemplo, buscam as trabalhar para atender a maior audiência possível. Então, os jornalistas de tais portais precisam noticiar assuntos a distância. Pois, seria financeiramente impossível manter jornalistas por todo um Estado, País e, porque não, planeta. Como eles trabalham a informação a distância, são obrigados a contar com fontes como as agências de notícias, veículos locais, entrevistas por telefone. Assim, o jornalista estará, raramente, próximo ao fato para fazer uma cobertura jornalística.

O caso é que pessoas, não jornalistas, tem alimentado a Web com informações do cotidiano, através de seus blogs. Ocorrências próximas ao seu cotidiano e, por sua proximidade, com muitos mais aspectos a serem vistos do que o jornalista da redação online, que se obriga a aguardar pelas informações vindas das agências ou já trabalhadas pelos veículos locais. Ou seja, no jargão jornalístico, “recozinham” a matéria.

Essa prática ainda é pouco vista no Brasil, mas no mundo já existe previsões para o fim da função de jornalista. Como podem ser vistos nessa postagem feita pela Gabi que inspirou esse texto.

Mas, vejo uma grande saída para os jornalistas e, ainda, com um grande ganho social. Como é de conhecimento da maioria, o maior ponto de tensão entre os veículos de comunicação e o público é o que ele quer saber e o que a imprensa que fazer saber. Os jornalistas, muitas vezes, culpam que estão atrelados às linhas editoriais das empresas jornalísticas e que se não a seguirem podem até acabar desempregados.

Por isso, me pergunto por que os jornalistas não produzem tais blogs independentes? Por que eles mesmos não vão atrás das notícias que desejam abordar, por sua própria conta, e escrevem livres de tais linhas editoriais. No momento em que um jornalista passa a produzir tal espaço, ele poderá contornar uma outra grande queixa do público que é o espaço para o cidadão na imprensa. Num blog, o jornalista poderá contar com os espaços destinados aos comentários para ter o feedback o público e passar a tomá-los como sugestões pra novas pautas.

Porém, há uma outra questão que é a remuneração de jornalistas que passassem a tentar ganhar a vida com esse fim social. Uma da prerrogativas para o sucesso do blog seria o fato de ele estar só e, por isso, seria a visão de um único jornalista. Mas, nesse ponto seria como o cidadão comum, que passa a sua visão. O jornalista teria a vantagem dos conhecimentos necessários para a produção de uma matéria e iria se diferenciar por isso, podendo garantir sua audiência e, conseqüentemente, maior comercialização dos espaços publicitários. Para não ser um meio de única visão, ele poderia trabalhar em conjunto com outros profissionais no mesmo espaço. Mas, isso não me preocuparia, já que vejo que tais blogs seriam construídos de forma colaborativa, ao se abrir espaço para o público.

Quanto aos especialistas que mantém seus blogs, vejo que os jornalistas têm uma grande vantagem, mesmo nos veículos tradicionais. Eles podem buscar várias fontes e as cruzar, o que dificilmente será feito por um especialista. Pois, ele não irá se preocupar em buscar outras fontes para sustentar seus textos. Por mais especialista que seja num assunto, uma única visão frente a um fato é um caminho perigoso para quem busca a verdade. Vejo que, nesse aspecto, os jornalistas estariam mais credenciados frente ao público que busca informações.

O grande filão que os jornalista têm em produzir tais blogs é seu conhecimento em lidar com fontes. Ao se moldarem rumo a uma imprensa mais sociável, eles poderão continuar tranqüilos que seu espaço estará garantido.

Os jornalistas também são cidadãos, então que mal tem eles praticarem o jornalismo Cidadão? Por isso, vejo que com tais possibilidades na Web, poderíamos afirmar que cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social.

e-monografia: produção científica colaborativa

A organização das anotações das leituras para quem esta produzindo algum texto científico é sempre algo essencial para o trabalho, visto a quantidade de livros e artigos que são necessários serem estudados.

O caso é que havia resolvido fazer minhas postagens sobre os artigos que estou lendo e as  relacionar com tags, como a tag conversação, para que depois eu mesmo possa fazer uma rápida pesquisa dos autores do referencial teórico. Por isso, minhas postagens poderão ser um tanto científicas e chatas. :p

Ontem, discutia com a Gabi o que ela achava de eu criar a categoria e-monografia no blog. Uma categoria que iria linkar todas as postagens da monografia que estou me preparando para escrever para a especialização. Ela só não me disse que seria legal, como me deu a dica de um projeto de uma monografia online. Hoje, ela me passou o link.

A aluna de Comunicação, Louise Martins, da UERJ criou um blog específico para seu trabalho.

No primeiro post do blog, ela justifica que criou o espaço para convidar os atores do seu tema a participarem através do espaço de comentários, colaborando com a construção de sua produção textual. A Louise diz que seu tema tem pouco referencial teórico e por isso veio a tomar tal iniciativa. Ela usa o termo monografia colaborativa.

O fato é que parece que ela pode mesmo conseguir tal façanha. Pois, como pode ser visto nos comentários de uma das postagens, a estudante já está recebendo a colaboração de uma pesquisadora (Raquel de novo) de onde pode encontrar referências.

O legal dessa idéia da Louise é que ela poderá contar mais do que com isso. Alguns temas que ela venha a ter dúvidas podem ser esclarecidos por  visitantes nos comentários. Assim como o próprio orientador que poderá fazer suas anotações também nos comentários das postagens.

Me questiono das vantagens que teríamos numa monografia totalmente online sobre algum tema que envolva a Internet. Falo do texto final com hipertexto: onde os exemplos do autor poderiam ser acessados no momento da leitura, facilitando a compreensão; as análises serem comprovadas, ao se seguir o mesmo caminho da metodologia proposta; as referências bibliográficas disponíveis na rede, podendo ser acessadas a qualquer momento; e, as monografias online estarem sendo linkadas umas às outras.

Acredito que a Louise será feliz em sua idéia, abrindo¹ uma lacuna interessante para ser aproveitada na academia. Mesmo àqueles que não desejassem tornar público seus textos ou orientadores que não gostariam de expor seu trabalho dessa forma, poderiam criar espaços privados e aproveitarem tais facilidades da rede. Mas, no caso dos alunos, estariam perdendo uma grande colaboração, como parece que a Louise conseguirá.

Vejo então mais um uso dado aos blogs que parecem ter apropriações diferenciadas a cada dia. Felizmente, de forma cada vez mais colaborativa. Quem sabe eu não faça uma e-dissertação no mestrado :p

¹Busquei no Google por “e-monografia”, “e-tcc”, “e-tese” e não encontrei nada. Procurei por “monografia colaborativa” e só encontrei links associados à idéia da Louise. Por isso, considerei sua idéia pioneira nessa postagem.

Conversação na Web é possível

Os blogs são espaços de sociabilidade e possibilitam a conversação entre leitores e blogueiros? Para quem ainda tem dúvida, sugiro mais um artigo lá do Wiki da Raquel. O texto “Blogs como espaços de conversação: Interações conversacionais na comunidade de blogs insanus” de Alex Primo e Ana Maria Reczek Smaniotto que traz bons argumentos para sustentar que os blogs são verdadeiros espaços democráticos de debates entre os internautas que os integram.

O interessante do artigo é que Primo e Reczek iniciam apresentando conceitos de autores que nos levariam a acreditar que a conversação só seria possível em interações síncronas.  Como Goffman que diz que só há a conversação nos espaços basicamente orais. Ou seja, a simultaneidade na interação se torna necessária para que haja conversação.

A Análise da Conversação dedica-se às interações orais com identidade temporal, já que “a conversação, mesmo que se dê em espaços diversos (no caso da conversação telefônica), deve ocorrer durante o mesmo tempo” (Marcuschi, 2001, p. 6). Com esse intuito, dá grande ênfase aos procedimentos de registro (gravação e transcrição) das interações espontâneas em situações cotidianas5 (Charaudeau e Maingueneau, 2004). (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 3)

Se considerássemos tal afirmação do autor, estaríamos desconsiderando qualquer possibilidade de conversação na Internet.

Um outro conceito citado pelos autores do artigo que me levou a compreender um pouco mais sobre quando há ou não conversação numa interação é de Simmen. Para o autor, a conversação deixa de ser sociável quando passa a ter um caráter de busca de objetivos. Nesse caso, a busca seria a confirmação de verdades. Na conversação, a busca gira em torno de se manter a relação.

O autor vai estudá-la como uma forma pura de sociabilidade, em que a fala é um fim em si mesmo. O conteúdo é um condutor indispensável daquela estimulação. Isso não quer dizer que ele seja irrelevante, já que o conteúdo precisa ser interessante e mesmo significativo. A diferença é que não se está buscando resultados objetivos, o que cairia fora da conversação. Assim que a discussão ganhe um tom administrativo, de negócios, ela deixa de ser sociável, tendo como foco a confirmação de verdades. Já na conversação, o fato de algo dito ser aceito não é um fim em si, mas uma forma de manter a vivacidade da relação, o entendimento mútuo e o sentimento de grupo. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 2)

Então, para que haja conversação é necessário que os interagentes se esforcem em manter a conversa. Isso é como numa interação presencial, que para se ter conversação é necessário que os dois busquem tal mutualidade. A reciprocidade na interação se torna essencial para o diálogo e seu conteúdo de interesse dos participantes. Lembro de um exemplo do próprio Alex durante uma aula. Imagine esse diálogo entre duas pessoas.

-       Bom dia!

-       Como bom dia? Só se for pra você, comigo está tudo péssimo.

Então, não houve esforço nenhum do segundo interagente em manter um diálogo. A simples resposta dele, totalmente inesperada, acaba por eliminar a possibilidade de início de uma conversação.

Esse aspecto da troca na conversação mostra que em muitos espaços de comentários que vimos nos blogs não há tal diálogo. Pois, as vezes eles são desconexos e o autor do blog não chega a desenvolver um interesse de sociabilidade. Isso me faz pensar nos comentários dos sites jornalísticos, já que a maioria dos participantes comentam sua opinião frente à notícia, mas raramente voltam para ver o que outros estão comentando. O jornalista também não responde os comentários, o que seria uma ótima forma de sociabilidade. Apenas me pergunto se isso pode ser considerado de cunho social, pois pelo o que entendi do conceito de Simmel, isso estaria se encaixando melhor numa conversa administrativa, em que a busca pela mutualidade não aparece.

Os autores do artigo recorrem a Herring para justificar que a conversação só não é possível entre duas pessoas, como pode se estender entre outros. Como numa sala de chat ou na blogosfera.

Herring (1999), por outro lado, aponta que as violações na coerência seqüencial são a regra e não a excessão na comunicação mediada por computador. Mensagens contectadas entre si, são com frequência separadas por muitas outras intervenientes. Conversações online em salas de bate-papo podem parecer caóticas para iniciantes. Porém, dois participantes podem estar trocando mensagens entre si, sem mesmo levar em conta o que os outros estão dizendo. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 4)

Primo e Reczeck chegam a salientar alguns aspectos da autora que poderiam dificultar a conversação, mas o que se percebe é que os internautas se apropriam da tecnologia de tal forma que acabam por gerar novas formas de conversação humana.

Quanto à pesquisa na comunidade de blogs insanus, eles trazem alguns exemplos interessantes, alguns cômicos, que mostram claramente a conversação. Baseiam-se em Efimoca e Moor para justificar o motivo de haver conversação nos blogs.

Os autores definem conversações em blogs como “a series of interrelated (interlinked) weblog posts and comments on a specific topic, usually not planned, but emerging spontaneously” (p. 1). A conversação em blogs ocorre quando um post motiva o feedback de outros internautas. (PRIMO e RECZEK, 2007, P. 4)

Há diversos outros aspectos apresentados no artigo que levam a entender como se dá a conversação nos blogs. Tanto que chegam a apresentar um exemplo que mostra a possibilidade de conversação com o “self”.

Comentários possibilitam conversação

Raquel criou um Wiki com referências de artigos científicos que têm como tema os blogs no Brasil. Na relação, já se pode encontrar produções desde o ano 2000 do assunto. O artigo “Escritores de Blogs: Interagindo com os Leitores ou Apenas Ouvindo Ecos?“, de autoria de Flávia Di Luccio e Ana Nicolaci-da-Costa, chamou-me a atenção por tratar de dois aspectos que estou trabalhando em minha monografia da especialização e que, também, irei pesquisar no mestrado que são: a Interação Mediada por Computador; e, os comentários nos blogs.

As autoras dividem a escrita em quatro cenários, partindo dos pergaminhos da Antigüidade grega e romana até a revolução digital na contemporaneidade, quando a nova plataforma passa a ser a tela do computador. Referindo-se a Chartier, explicam que os leitores precisavam das duas mãos para segurar o papiro e que isso os limitava a escrever durante a leitura. Assim, como o escritor que viria a utilizar de uma outra pessoa, o escriba, para produzir seus textos que eram ditados. Depois, surgiram os livros manuscritos, denominados de códice. Revolucionários para a escrita e leitura da época permitindo se ler e escrever ao mesmo tempo, já que se podia folhar os cadernos como os livros atuais. No século XV, surgiu a imprensa de Gutenberg e foi quando se pode popularizar a escrita, pois os custos e tempo de produção caíram consideravelmente. Mas, elas destacam que, segundo Chartier, o fundamento de produção e leitura continuavam muito próximos dos suportes anteriores que eram baseados na “distribuição do texto na superfície da página, numerações, índices, sumários” (P. 667).

Esses aspectos do suporte técnico de produção e leitura se tornam essenciais para que se compreenda a questão da revolução digital que virá para possibilitar a interação entre autores e leitores. Segundo as autoras, nos suportes anteriores “não há a possibilidade de leitores e escritores se comunicarem” (P. 667). As opiniões e críticas dos leitores podiam ser inseridas apenas em espaços secundários e limitados, como as margens, folhas em branco ou contracapa. Nesse ponto, compreendo que as autores foram um pouco radicais em afirmar que a comunicação não era possível. O leitor poderia enviar uma carta com seus comentários ou mesmo discutir presencialmente suas opiniões. No entanto, a possibilidade de se obter uma interação no mesmo suporte, como na tela do computador, influenciando avanços no processo de produção foi muito bem ressaltada por elas. No momento em que autor e leitor interagem no mesmo suporte técnico se torna possível a conversação entre eles.

Na visão de Chartier (1999), a revolução digital gerou mudanças muito mais radicais do que a revolução da imprensa por diversos motivos. Entre esses motivos, estão os de que a tela do computador: (a) permite que qualquer texto seja lido ou escrito em um mesmo e único suporte textual; (b) gera o desaparecimento dos critérios imediatos, visíveis, e de materiais de classificação e hierarquização dos discursos (paginações, indexações, citações, notas de pé de página, capítulos ou anexos); (c) faculta o surgimento do hipertexto, ou seja, de um texto não linear, não seqüencial e repleto de links que remetem a outros textos, e (d) inaugura a possibilidade de diálogo entre leitores e escritores. (P. 667)

Os comentários em blogs possuem tais características e por esses motivos possibilitam a interação entre leitores-autores e leitores-leitores. A comunicação entre essas partes pode chegar ao nível de não se ter um único autor do texto, onde surgirá a questão da cooperação, que segundo as autoras foi inaugurada com esse novo suporte textual.

É a tela do computador como suporte textual que inaugura a possibilidade de diálogo (e/ou cooperação) entre escritores e leitores, diálogo esse que pode ocorrer no espaço do próprio suporte. Segundo Chartier (2002), essa inovação é tão radical que faz com que os leitores possam se transformar em co-autores, dado que seus comentários e intervenções podem chegar aos escritores rápida e diretamente, sem passar por intermediários como antes. (P. 667-66 8)

Então, através de blogs se pode ter uma nova concepção de produção textual e os comentários passam a ser ferramentas de extrema importância para que isso ocorra. Mas, uma das principais questões da pesquisa das autoras era identificar até que ponto os autores dos blogs estavam aproveitando essas possibilidades.

Os resultados delas trazem questões interessantes. Como a da importância dos comentários para os autores dos blogs pesquisados continuarem postando. A pesquisa identificou que um dos principais motivos que leva a manutenção dos blogs é a facilidade de que eles têm de publicar textos sem restrições. Ou seja, como as próprias autoras salientam, a liberdade de expressão possibilitada em blogs leva as pessoas a manterem seus espaços atualizados. “Escrever sem restrições ou regras pré-estabelecidas é, portanto, um grande atrativo que os blogs oferecem” (P. 671).

[...] os participantes da pesquisa apontaram como importante para a criação e manutenção de seus blogs é a possibilidade de saber a opinião de seus leitores. Em sua visão, o blog é um ambiente propício, não somente para publicar com liberdade mas também para interagir com os leitores e conhecer pessoas. (P. 672)

Mas, outro resultado traz a tona uma questão, que diz respeito à possibilidade de se ter a opinião a respeito do textos publicados, de se interagir com os leitores. Nesse aspecto, todos os autores pesquisados deixaram claro que não gostam de receber críticas e, alguns, raramente respondem os comentários. Porém, essa não seria uma das grandes vantagens que os levava a publicar?

Essa contradição me faz entender que as pessoas, antes de pensarem em textos coletivos e geração de debates na rede, possam estar buscando exclusivamente por reputação, já que desejam ter seus textos lidos e comentados, desde que sejam elogiados. No artigo, podem ser encontrados depoimentos dos autores pesquisados com expressões do tipo “putaço” ao se referir ao sentimento em relação a uma crítica.

A última questão que saliento do artigo é quanto ao uso dos comentários como um termômetro de popularidade mencionado pelos entrevistados. Se eles estivessem realmente preocupados apenas em saber isso e que os comentários são o que possibilitam essa mensuração, bastaria verificar as estatísticas dos blogs para saber quantas pessoas estão lendo seus textos. O que reforça a hipótese de que esses autores buscam  por reputação na rede.

Mas, é importante ficar claro que esses resultados foram abordados em cima do artigo mencionado. Pois, eu acompanho alguns blogs onde encontro todas essas possibilidades de conversação e trocas mencionadas com grande freqüência. Já vi blogueiros mudarem de opinião em verdadeiros debates online nas caixinhas de comentários e, ainda, estimularem críticas aos seus textos.

O certo é que fico contente em ler esse artigo, por ver que há muito a ser discutido e estudado nesse tema, como as próprias autoras sugerem, confirmando algumas da minhas idéias ao mesmo tempo que me deixam com muitas dúvidas da tendência do uso dos blogs pela sociedade.

Conhecendo o Web Research

Faz algum tempo que eu estava querendo fazer um novo blog para postar com mais freqüência sobre os temas que eu gosto e que estudo, que envolvem a comunicação e a informação na Internet. Isso se torna possível a partir de agora que iniciarei o meu mestrado e irei poder me dedicar exclusivamente à vida acadêmica. O blog anterior permanecerá no ar como forma de arquivo do tempo da graduação, quando descobri o quanto se pode compartilhar informações e se aprender com os blogs e, principalmente, quando passei a me interessar em participar de pesquisas científicas. Nessa primeira postagem, não farei qualquer apresentação pessoal por já estar na área about, mas seguirei a tendência de todos e irei apresentar o blog “Web Research: comunicação e informação na web”.

  • Projeto Gráfico
Preocupei-me em criar uma certa identidade para o blog em um design limpo, para que a leitura seja agradável aos visitantes. Os serviços na barra lateral foram dispostos na importância que julgo ser de interesse da maioria, com o objeitivo de facilitar o acesso às postagens e informações buscadas nesse espaço. Para isso, visitei outros blogs e tentei seguir a tendência desses outros blogueiros que costumo acompanhar.
  • Áreas
Um dos motivos que me levou a migrar para a plataforma WordPress foi a possibilidade da criação de áreas. Pois, queria ter a possibilidade de estar podendo dispor outras informações nesse espaço que não só as postagens propriamente ditas de um blog. Como é o caso dá área PDFs, onde estarei veiculando a minhas participações em produções científicas, com o objetivo de receber contribuições e críticas de quem por aqui passar e se interessar em compartilhar suas opiniões. As áreas estão acima e já possuo o projeto pessoal de outras que me parecem ser interessantes, mas que por enquanto não est