A Gabi me convocou a responder ao meme “Blogar… uma profissão?”. Na postagem em que faz tal convocação (provocação :p), ela também se refere ao meu último texto: “Cada jornalista pode ser um veículo de Comunicação Social”. Por isso, me sinto na obrigação de responder ao meme relacionando algumas questões a esse post anterior.
Já vou logo afirmando que, em minha opinião, blogar não pode ser algo visto como profissão. Pois, acredito que os blogs nada mais são do que um suporte técnico que permitem qualquer um publicar na Internet. Na minha postagem anterior, destaquei algumas diferenças entre jornalistas, especialistas e público em geral, para deixar claro que cada um tem o seu papel na sociedade e que, por isso, não acredito que podemos considerar blogueiros como jornalistas. Esses, nada mais são do que pessoas publicando sobre temas que lhe interessam e mesmo que tirem, em algum momento, a audiência dos jornalistas, por sua proximidade aos fatos, por exemplo, não quer dizer que tais pessoas estejam desempenhando a função de jornalistas.
Elas nada mais são do que pessoas que têm um espaço para publicarem suas opiniões, escreverem sobre os fatos que lhe interessam. O que é algo extraordinário no que diz respeito à democracia no mundo. Mas, como dito em minha postagem anterior e como a própria Gabi falou na postagem dela, existem diversas questões éticas e de conhecimentos trabalhados por jornalistas que os diferenciam das demais pessoas que publicam no blogs. A principal delas, em meu entender, seria a questão do compromisso que um jornalista tem em escrever uma notícia. Porém, assim como disse antes que o jornalista pode ser um repórter cidadão, ele também pode manter um espaço sem ter os compromissos que ele têm num veículo, desde que deixe claro o que é jornalismo e o que é opinião. Pois, ele tem obrigações éticas frente ao público.
Vejo nos blog grandes possibilidades para todas as profissões, mas não uma nova profissão. Não existira uma nova profissão de blogueiro, mas sim o jornalista que posta, o escritor que posta, o cronista que posta, o chargista que posta, etc. Ou seja, todos profissionais de diferentes áreas que têm um novo suporte para falar do que bem entenderem.
A minha área é o jornalismo e vejo nos blogs alternativas de jornalistas se moldarem a tornar a tarefa de informar algo mais democrático. Na verdade, nada diferente do que já deve ser feito nos atuais veículos em que desempenhamos nossas funções, mas não podemos ser demagogos e desconsiderar que muitas vezes estamos engessados a linhas editoriais. A ênfase da profissão de jornalista não muda com os blogs, o que muda é o suporte técnico e as possibilidades de melhor desempenharmos nossas funções.
Vi em alguns blogs que responderam o mesmo meme que há uma discussão quanto ao diploma de jornalista relacionado a esse tema. Acredito que não seja necessário falar disso, pois está claro para mim que todos podem blogar (mais o deveriam fazer), mas que só jornalistas podem fazer jornalismo.
Não vejo os blogueiros como uma ameaça ao jornalismo, talvez o fossem para as empresas jornalísticas. O jornalismo estará seguro pelos jornalistas que possuem diferenciais de anos de desenvolvimento da profissão e tornam a função de extrema importância à sociedade. Nunca podemos deixar de esquecer de que o jornalismo têm o compromisso e a função com a sociedade de mantê-la informada de temas como política, segurança pública, saúde, etc. Por mais que os blogueiros possam fazer isso, serão os jornalistas que o farão em compromisso ao juramento de sua profissão distanciando-se de simples opiniões e interpretando para informar com ética e serenidade.
Para finalizar a resposta ao meme, se consideramos a tarefa de blogar uma profissão, também devemos considerar profissionais as pessoas que se reúnem para discutir e opinar sobre temas diversos. Por que não da profissão de “discutidor”?









Pois é, quanto à distinção entre jornalistas e blogueiros eu realmente concordo com isso. Acontece que a ampliação do debate blogosfera afora tem tocado na questão de que pode vir a surgir um profissional no futuro que seja contratado apenas para blogar, contratado para escrever textos de blogs - para o blog de uma empresa, por exemplo. E, pensando bem, isso não irá acontecer no futuro - já tem gente trabalhando com isso por agora! E isso assusta
Há comentaristas de jornais que são verdadeiros profisionais. Reparava muito nisto quando lia o Jotabê e vivia no Ri ode Janeiro.
Francamente, acho que esta discussão é baseada em termos de regulamentação de lei, bla-bla. Dentro de um jornal há os cronistas de futebol, os cronistas propriamente ditos, os que escrevem horóscopos e assim por diante. Os fotógrafos. Não são todos jornalistas?
Houve uma época em que não havia regulamentação de jornalistas ou faculdades de comunicação. O João Saldanha ou o Antônio Maria deixaram de escrever por causa disso?
Em suma, aqui nos EUA, não vej oa discussão. As pessoas blogam e ponto final. Nunca vi ninguém perguntar se o carinha dono do Daily Kos é blogueiro ou jornalista. Ele tem credibilidade e acabou. Idem par aos quatro donos do America Blog(Blogspot).
Nem sei o que dizer sobre o tal diálogo. Não tenho comentários como não os têm a maioria do pessoal no typepad.com. Sinceramennte acho que blogueiros têm ausência de pauta e hora para fechar. O resto é firula.
Por favor, não leve a mal.
Bons argumentos, mesmo discordando do ponto de vista aqui levantado. Defender blogar como profissão não implica que estes tomem os empregos dos jornalistas ou que os blogueiros sejam elevados a tal status.
O conceito de profissão para mim é sinônimo de $$$. A ética para mim é uma só, para todos. O que existe no jornalismo são códigos deontológico e manuais de redação. Elemento impossível em blogs. Mas a ética existe neles…
Sobre o diploma. O debate não é a obrigatoriedade em si do diploma, mas o que ele representa, acesso à um campo social repleto de poder simbólico. Vale lembrar que a liberação do pólo emissor reconfigurou tal campo.
Gilberto, este blog está bombando! Excelentes textos! E que time de comentaristas, hein?
Achei muito interessante o comentário da Tina, BTW.
Gilberto: Eu ia escrever o mesmo que a Tina, concordo com ela também. Acho que a discussão se blogueiro é jornalista ou não é complicada e já nasceu meio morta. Fora que a discussão de regulamentação, para mim, é completamente sem propósito!