Arquivo para março \19\UTC 2008

Moderação de comentários pode inibir a conversação

Quando estava preparando este blog, chegou um momento de sua configuração na plataforma WordPress em que tive de optar pelas questões de moderação de comentários. Tive dúvida de qual opção deveria escolher: a) deixar os comentários livres, sem qualquer tipo de moderação; b) moderar parcialmente, em que o autor do comentário precisaria ter um comentário previamente autorizado e depois poderia comentar sempre; e c) moderar sempre, em que todos os comentários deveriam ser autorizados, indiferente se o comentarista já havia sido moderado antes.

A minha escolha inicial foi a segunda, em que o autor deveria ser moderado uma única vez e liberar seu e-mail para futuros comentários. Optei por essa alternativa por dois motivos: evitar spams; e, principalmente, para ter conhecimento das pessoas que viriam a comentar. Isso tomando por base de que ninguém iria criar um e-mail falso para comentar. Por mais que saiba que existem fakes pela rede, não possuo uma audiência para tal preocupação.

Acontece que comento em blogs há alguns anos e tenho percebido que alguns seguem a mesma linha que eu escolhi, mas que há outros que você precisa ter todos os comentários moderados, indiferente se já havia feito um anterior que tivesse sido autorizado. Importante ressaltar que a maioria dos blogs não têm nenhum tipo de moderação, a não ser a necessidade de informar o e-mail que parece ser padrão da maioria dos blogueiros [acredito ser pela a mesma necessidade que tenho de saber com quem se está falando].

O fato é que essa questão dos comentários serem sempre moderados dificultam a conversação entre os comentaristas dos blogs. Por exemplo, você faz um comentário num post e outros os vão fazendo enquanto o autor do blog não está acompanhando. Então, quando o autor acessa a plataforma do seu blog irá autorizar todos os comentários [ou não] ao mesmo tempo e isso irá dificultar [praticamente impossibilitar] a relação de interação entre os visitantes do referido blog. Os comentários terão a possibilidade de se relacionar apenas com a postagem e interagir com o autor.

Vejo que o autor do blog perde um grande potencial ao moderar os comentários por completo. Pois, já vi e participei de muitos debates surgidos nas caixas de comentários de alguns blogs. Muitas vezes, os debates tomam um foco totalmente diferente do próprio tema do post, mas fica claro a sua importância e contribuição para o debate público.

Estou pensando em liberar totalmente a moderação de comentários do Web Research, mesmo que por enquanto seja necessário ter um único comentário aprovado para continuar comentando. Poderei continuar solicitando o nome e e-mail para saber quem está comentando, apagar os spams e lidar politicamente com os fakes, se surgirem.

Na verdade, nem deveria me preocupar tanto com isso com a audiência que tenho, mas a minha percepção veio de um outro blog que leio, de excelentes postagens, muitas vezes polêmicas, que dariam combustível pra bons debates. Acho que esse autor pode estar perdendo um espaço para discussão e evolução dos temas abordados em suas postagens.

Semanas atrás, fiz três postagens em cima de artigos que li sobre conversação através dos comentários que podem ser interessantes para quem deseja ler sobre possibilidades de interação e discussão existentes nos blogs. Os posts são “Conversação na Web é possível”, “Comentários possibilitam conversação” e “Comentários ocupam 30% da blogosfera“. Os três têm referências de alguns autores. Porém, nem todo o espaço de comentário irá gerar debates. A minha opinião de um dos motivos disso pode ser lida no post “Não Concordo” que publiquei em meu blog anterior.

O profissional do Silício quer cultura

Zero Hora (ZH) do último domingo trouxe uma reportagem especial sobre o que falta para que o Rio Grande do Sul forme o seu Vale do Silício. A reportagem diz que para os gaúchos entrarem no mundo da alta tecnologia é preciso que o Governo, o Empresariado e a Universidade possuam maior integração. Mas, nesses três aspectos, o que mais me chamou a atenção foram os pontos que devem ser trabalhados para que o estado atraia pessoas criativas que, segundo a ZH, é o perfil do profissional necessário para essa indústria.

Além de bons indicadores de segurança e educação, o local deve ter cultura em abundância. Acesso a cinema, teatro, música, restaurantes, casas noturnas é importante para atrair pessoas criativas – primordial na nova indústria. (ZH, 06mar08, p. 31)

Muito se discute na blogosfera sobre o perfil do futuro profissional de comunicação e de como irão se desencadear profissões como a de jornalismo. Deixando a discussão de lado, até por uma certa exaustão do tema, vejo nessa reportagem a necessidade que os atuais acadêmicos têm em se diferenciar cada vez mais. Lembro do quanto alguns professores da graduação já buscavam novidades para que tomássemos conhecimento das últimas tecnologias e de quanto deveríamos ser criativos.

A ZH levanta a questão de que para atrair tais profissionais são necessários aspectos um tanto “pós-modernos”, como cinemas, restaurantes e casas noturnas. Isso porque os profissionais do futuro estão cada vez mais descolados e necessitam consumir cultura. A questão é bem interessante, pois traz a tona o velho aspecto da educação, porém não mais a simples disponibilidade de escolas e universidades, mas sim temas voltados diretamente a cultura e à sua manutenção na sociedade.

Acho que ainda levará um bom tempo para que toda essa infra-estrutura cultural necessária se estabeleça por aqui, pois é necessário mais que cinemas e restaurantes em abundância. Vejo o Rio Grande do Sul como um dos estados mais ricos em cultura do Brasil, mas é preciso que o gaúcho se conscientize que precisa melhorar ainda mais seu modo de ver o mundo se deseja acompanhar os povos mais avançados. Deve-se deixar de lado o egocentrismo de que possuímos cultura enquanto é de alcance, ainda, de uma pequena “elite cultural”. É preciso olharmos para o nosso próprio povo para que possamos desenvolver o nosso estado culturalmente à mediada de não precisarmos nos preocuparmos em atrair profissionais criativos, pois aqui o teremos.

  • Amanhã, iniciam as aulas do mestrado da UFRGS. A primeira disciplina que terei aula é “Comunicação Interação Mediada por Computador” e, coincidentemente, a minha primeira aula será também com o meu orientador. Agora, com os debates que certamente ocorreram em sala de aula, espero poder discutir aqui mais sobre a Cibercultura.

Cuidado com os [não]blogs que você lê na Internet!!!

 

Os blogs têm sido algo cada vez mais usual em portais jornalísticos, como o ClicRBSG1Folha Online, etc. O julgamento das células-tronco no STF ocupou a mídia digital na tarde desta quarta-feira(5) e uma cobertura em especial me chamou a atenção do uso do termo blog.

cobertura a que me refiro é a do portal G1 que mantém uma seção intitulada de Blog ao vivo e que passou a tarde sendo atualizada com informações do julgamento no STF. A minha preocupação é se esse espaço do G1 pode ser considerado um blog. O espaço parece mais uma cobertura online, com notas rápidas de um acontecimento em que seu grande diferencial é a possibilidade dos leitores comentarem.

Preocupa-me porque vejo muito mais do que essa possibilidade num blog. Acredito que o principal diferencial de um blog é a liberdade de expressão permitida a qualquer sujeito, sem vínculos a interesses e linhas editoriais que qualquer veículo de comunicação possua. Não julgo as linhas editorias, pois penso que os veículos as devem possuir e, ainda, deveriam ser mais fortes nos seus pontos de vista. Acho que uma imprensa opinativa que por sua vez se torna interpretativa é muito mais fiel à informação do que uma simplesmente informativa. No entanto, cada um tem seu papel e essa cobertura feita pelo G1, esse espaço denominado de blog, não passa de uma estratégia de marketing, já que o termo parece estar em alta na Web, por tantos considerarem que os autores autônomos têm mais isenção com a verdade, por mais que interesses pessoais estejam atrelados à informação.

O meu medo é que o termo blog acabe como o interativo, como o Alex Primo expõe em seu livro da sua banalização, desde que a publicidade passou a utilizá-lo para criar slogans para os produtos, que seriam mais interativos.

No ano passado, houve uma grande discussão na blogosfera a respeito de uma campanha do Estadão que criticava a credibilidade dos autores de blogs e, agora, vejo que tomaram tal proporção que toda a mídia passa a utilizá-los para não perder espaço. Tanto que utilizam o termo para denominar seções de seus portais que nada tem a ver com um blog.

Então, seguindo a mesma linha da campanha do Estadão que dizia para ter “cuidado com o que você lê na Internet”, ao questionar se os autores dos blogs eram críveis, alerto:

Cuidado com os [não]blogs que você lê na Internet!!!


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