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Estamos na era dos apps? Plataformas fechadas ameaçam o conceito de participação da Web 2.0

Leia mais sobre Tim Berners-Lee na Wikipedia

Berners-Lee criou web em 90

Recentemente, em artigo publicado na Scientific American, o criador da web Tim Berners-Lee defendeu as plataformas abertas e criticou a loja do iTunes e o Facebook por fragmentarem e centralizarem o conteúdo na Internet. Estará a web com seu conteúdo aberto na rede ameaçada por plataformas controladas em ambientes fechados como a Apps Store da Apple ou estará o pai da web cuidando do seu filho mais velho?

A partir do momento em que os conteúdos são distribuídos a partir de apps instaladas em dispositivos como iPhone, iPad e iPod, a Apple tem controle sobre as ferramentas de distribuição. Bem sabem os internautas que utilizam esses dispositivos móveis que utilizar aplicativos é a maneira mais usual para acessar informações na rede.

Visite a Aplle Apps StoreO problema é que muitos deles devem ser comprados e, mesmo aqueles gratuitos, exigem que o internauta possua uma conta na iTunes com um cartão de crédito válido. Ainda que haja maneiras de se criar contas sem o cartão com endereços falsos, essas são práticas que desrespeitam os termos de uso da Apple e que o internauta com conhecimento menos avançado não deve utilizar. Mesmo com a conta criada, ainda estão sujeitos à loja da Apple para adquirir os apps e aqui está o problema.

A informação distribuída está sobre controle de uma plataforma fechada, já que os apps devem seguir padrões da Apple para publicação na loja de aplicativos. Tenho estudado a construção de apps para os dispositivos da Apple e um dos primeiros pré-requisitos que me deparei foi a criação de uma conta no iOS Developer Program. Parece fácil, não? O problema é que a inscrição no programa custa 99 dólares… POR ANO. Fora isto, o conhecimento técnico dos protocolos de programação são bem avançados.

Como a migração para os dispositivos móveis que utilizam desses apps cresce visivelmente, os detentores do conhecimento para construção de aplicativos receberão um espaço privilegiado para a distribuição de conteúdo. Com isso, retornaríamos ao tempo da Web 1.0, quando a publicação e a distribuição do conteúdo estavam sujeitas ao conhecimento do script HTML.

Observem as apps existentes até o momento para a distribuição de conteúdo informativo e jornalístico para o iPad, lançado tardiamente hoje no Brasil, e notarão que apenas as grandes instituições jornalísticas possuem apps para este dispositivo.

Além de sujeitos às políticas de publicação de apps da Apple, apenas quem domina os meios e possui recursos para investir podem publicar aplicativos para a distribuição de informação nestes dispositivos. Isto realmente acontecerá?

A minha preocupação com essa geração de apps é associada com estes questionamentos e também por ter iniciado os testes com o novo navegador que integra as redes sociais, RockMelt, e observar que surge o espaço para apps também nos navegadores. A tendência do uso de apps também pode ser observada no Facebook, outra plataforma fechada que possui sua base de dados restrita à empresa. Aliás, o Facebook parece ser o maior parceio do RockMelt, visto que as funcionalidades das apps já disponíveis são realmente inovadoras para este site de rede social. Claro que não fica claro qual será a tendência desses espaços, por enquanto surgem apenas para a inclusão de feeds, mas fica clara a interface voltada para apps e para o Facebook.

Não quero afirmar como Berners-Lee que as plataformas abertas da web correm risco e que a democratização das ferramentas de produção e de distribuição como apontada por Anderson em seu livro A Cauda Longa está com os dias contados. Agora, certamente é tempo de se repensar o poder dado às grandes organizações como Facebook e Apple ao deixar-se que controlem os dados compartilhados pelos internautas.

Se o conteúdo distribuído na rede ficar sujeito aos apps controlados por poucas organizações, teríamos um retrocesso no que toca os conceitos da Web 2.0 como a participação na construção do que é publicado. Estaríamos retornando aos tempos em que precisamos baixar e instalar apps softwares em nossos dispositivos? A web como plataforma está em risco com essas novas práticas de navegação na Internet?

As respostas a todas essas perguntas só poderão ser dadas com o tempo, mas particularmente penso que dificilmente voltaremos a tempos em que poucos tinham a possibilidade de difundir informação. Por outro lado, mais uma vez presenciamos uma mudança de paradigma na rede que pode ditar a forma como consumimos e compartilhamos conteúdo na Internet.

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Nova editora disponibiliza todos seus livros gratuitamente para download

Na semana passada, foi lançada na Feira do Livro em Porto Alegre a editora PLUS (Projeto para o Livre Uso do Saber) que disponibiliza gratuitamente seus livros em arquivo digital no seu site. O projeto acertou também uma parceria com a Traduwiki para possibilitar que livros sejam traduzidos de forma colaborativa num sistema wiki.

Trabalhamos de forma digital e gratuita. Da revisão à publicação. Do autor ao leitor. Nossos livros estão sempre limpos. Nossos livros estão sempre novos.

O projeto disponibiliza ainda a possibilidade de autores publicarem suas obras, registrá-la na Biblioteca Nacional e obter o ISBN a um custo de R$ 49,00. Claro que depois do cadastro, a obra passará pelo parecer do corpo editorial da Plus para que sua publicação seja aprovada.

Editora Plus

No catálogo da editora já constam os seguintes livros para download:

Antes de baixar os livros, convém ler as Dúvidas Gerais para que a idéia do projeto seja mantida.

No site da editora há ainda a seção de Audiobooks que pretende disponibilizar livros em audio. O formato, além de interessante para que se possa “ler/ouvir” um livro ao se fazer qualquer atividade, tem um cunho social para que deficientes visuais possam ter acesso ao conteúdo dos livros. A editora que tem caráter colaborativo busca por voluntários para que emprestem suas vozes e gravem os Audiobooks.

O projeto é interessante, basta esperar que mais autores disponibilizem suas obras para publicação gratuita.

Perca um livro de propósito e incentive a leitura

Um serviço da web promete incentivar as pessoas a lerem livros, fazerem seus comentários do mesmo e depois os perderem para que outros os encontrem. O sistema parece simples: acessa-se o sistema e se cadastra o livro colocando o local de onde será perdido, um código é gerado e uma etiqueta impressa com os dados da campanha e do serviço na web para serem colados na primeira página do livro.

Etiqueta Perca um Livro

A etiqueta gerada pelo sistema com o código do livro perdido deve ser anexada no livro

As pessoas acessam o site e descobrem onde os livros serão perdidos e a idéia é que outros os encontrem, leiam e depois os percam novamente, informando o sistema para que terceiros venham a achá-los também. Com isso, cria-se uma rede de leitura de um único livro.

Pensei em fazer um teste e perder um livro para ver se alguém o encontra e depois vir a rastreá-lo no sistema. Mas, confesso que fiquei um tanto receoso ao se tratar de Brasil (segundo o site a prática é internacional). Será que as pessoas que o encontrarem agirão de boa fé e seguirão a prática proposta?

Em Porto há um internauta que promete perder um livro dentro da lotação Menino Deus, veja mais aqui.

Mais sobre o sistema você encontra aqui.


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