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Publicar ou interagir no jornalismo: serviço interativo de micromensagem não é microblog

A revista eletrônica Fantástico da TV Globo passou a contar com atualizações no Twitter desde o dia 8 deste mês, mas somente ontem, após uma reportagem sobre mídias sociais no próprio programa, parece que o grande público teve conhecimento do novo perfil, já que o serviço ficou instável momentos após a reportagem. Isto sempre ocorre quando alguns fatos levam a um elevado fluxo de internautas ao serviço de micromensagens.

Desde maio de 2008, quando escrevi sobre o uso dado ao Twitter e criticava as contas agregadoras de notícias, já via o serviço como um serviço de micromensagens destinado à interação e não como um microblog. Na Intercom de 2008, ao apresentar meu trabalho que discutia relações sociais em ambientes virtuais, falei de diferenças entre sistemas de micromensagem que apontavam essa interação entre os internautas, uns com maior conversação e grupos menores (Plurk) e outros com menor diálogo (Twitter), mas com grande interação entre os interagentes através de trocas de informações em grupos maiores. As atualizações dos twitteiros/plukeiros são feitas com a intenção principal de interagir, mesmo que muitos utilizem para divulgar links dos próprios blogs (como eu mesmo fiz ao término desta postagem), a maioria dos links divulgados são na intenção de compartilhar e não apenas de criar reputação na rede.

Essa diferença entre postar um texto num blog e fazer-se atualizações num serviço online na intenção de interagir, mesmo que a interação não seja a conversa [penso aqui na interação reativa ou mútua (Primo, 2007)], é o que diferencia os serviços de micromensagens dos blogs que já percebia no meu próprio uso dado ao Twitter desde 2007.

Esta diferença entre postar e interagir é o que vejo necessário ser percebido pelos veículos de comunicação que desejam utilizar os serviços de micromensagens como canal de comunicação com sua audiência.

Era o primeiro anuncio da criação da conta no próprio Fantástico, que já deixava claro desde sua primeira atualização que, provavelmente, seguirá o mesmo uso dado ao Twitter por outros Meios de Comunicação de Massa (MCM). Na bio do perfil @showdavida, vê-se que servirá para divulgar novidades e bastidores do programa e do site do Fantástico.

O fato do Twitter baleiar durante o anuncio da conta aponta algumas premissas que tenho com os mídias. Os MCM ainda são mais importantes na divulgação de informações para grandes audiências. Mesmo que twitteiros de plantão já estivessem falando no Twitter da reportagem que iria ao ar momentos antes da transmissão, foi após o anúncio do endereço twitter.com/showdavida por Zeca Camargo que o perfil passou a receber novos seguidores.

Momentos antes da reportagem ser transmitida na TV, o perfil do Fantástico possuía 1293 seguidores, cerca de duas horas depois eram 3120 e hoje até 12h e 8min o número subiu para 4651.

Conta @showdavida antes da reportagem na TV

Conta @showdavida antes da reportagem na TV

Certamente, se todos esses cerca de cinco mil seguidores acessassem ao mesmo tempo a conta do Fantástico, o serviço do Twitter não ficaria instável, mas essa diferença mostra que muito mais internautas foram até o perfil do programa naquele momento que trancou o serviço, também mostra que a maioria não passou a seguir a conta @showdavida.

Conta @showdavida 2h após a reportagem na TV

Conta @showdavida 2h após a reportagem na TV

O fenômeno ocorre por dois motivos. A maioria das pessoas que chegaram até o endereço anunciado pelo apresentador nunca havia ouvido falar no Twitter e, obviamente, não possuía conta para seguir o @showdavida, como o próprio Zeca parecia não saber, pois deu a entender que era necessário estar cadastrado no Twitter para acessar o endereço no final da reportagem.

Qualquer twitteiro já sabia que para acessar a página não é necessário estar cadastrado e que a criação da conta é necessária para que se forme a rede de seguidos e seguidores. O fato é que a maioria dos brasileiros que navega pela Internet sequer sabia da existência do Twitter até sua divulgação no Fantástico, quem dirá informações básicas do serviço.

Porém, por que aqueles já twitteiros que acessaram o perfil @showdavia não passaram a seguir as atualizações do Fantástico? Não há dúvida que os primeiros a acessar a conta em seguida à reportagem na TV foram eles, como também não tenho dúvida que foram milhares deles aqui no Brasil. Mas, então, porque que esses milhares não passaram a seguir a conta do Fantástico?

  • Show da Vida 2009

Tenho acompanhado o Fantástico há alguns domingos para verificar as mudanças prometidas para a programação de 2009 e já percebo as reportagens mais aprofundadas, excluindo essa das mídias sociais pois acho que faltou atenção a alguns pontos, mas que também não me sinto no direito de criticá-la, já que é destinada para a massa. Não que eu não seja massa, pois todos somos receptores de massa em algum momento, como na reportagem sobre a doação dos órgãos na semana passada, quando achei o máximo a forma como foi explicado o diagnóstico de morte cerebral, entendi que a reportagem atingiu seu objetivo frente à sua audiência de massa. Por outro lado, a minha irmã criticou que outros pontos da medicina precisavam ser ressaltados. Mas, ela é médica e creio que tais pontos sejam no mesmo nível dos que eu senti falta na reportagem dos mídias sociais por pesquisar esses serviços. São essas mudanças que tenho percebido nas reportagens do fantástico que também são necessárias nos meios digitais.

Ontem a massa do Fantástico teve acesso à conta @showdavida, os próprios twitteiros tomaram conhecimento ao mesmo tempo, mas pouquíssimos passaram a seguir o perfil. Isto ocorre porque o Fantástico está vendo o serviço como uma novidade para a sua massa e manteve o mesmo formato que vejo na maioria das contas de veículos jornalísticos no Twitter, de divulgação de informações da sua própria produção. Continua sendo um canal de única-via um-todos. Estão vendo o Twitter como um blog, destinado primeiro à postagem de textos e depois a interação quando permitidos os comentários.

  • Interação, não publicação

Como já discutido no início deste texto e em outra postagem, é necessário que o jornalismo no Twitter perceba que o grande potencial desse serviço está na interação entre seguidos e seguidores. O @showdavida não pode vir com o formato de apenas ser seguido se deseja ter um canal interativo com sua audiência, necessita seguir e interagir, ouvir mais e dizer menos. Pois este é o principal motivo pelo qual eu não sigo nenhum serviço de notícias no Twitter, pois eles publicam muitas atualizações que encheriam minha página de links. Como já falei antes, pra isso eu uso os Feeds.

Se o @showdavida tivesse publicado perguntas aos seguidores, dado a oportunidade de participação deles no programa na TV através do Twitter, entre outras formas de interação, eu mesmo passaria a seguir a conta. Mas, vale lembrar que essas possibilidades de interações têm de ser importantes ao internauta, pois são vários os exemplos de sistemas e redes que não tiveram sucesso pelo fato do internauta não encontrar uma utilidade que o fizesse manter-se no serviço. Dessa mesma forma, o twitteiro não manterá uma relação interativa com outros caso essa relação não seja importante ou útil para ele manter o vínculo.

Os twitteiros como eu que chegaram até a conta do Fantástico e não passaram a seguí-la, provavelmente pensaram que era mais uma conta de um MCM no Twitter.

O Fantástico precisa de um serviço de micromensagem para interagir e ouvir mais, não apenas para falar dos “bastidores” e “novidades” como num blog. Tem que ser um serviço de micromensagem interativo e não um microblog. A propósito Zeca Carmargo, mesmo que eu tenha deixado claro e escrito que não concordo com isso há mais de um ano, o que andam chamando o Twitter por aí é de Microblog e não Miniblog. 😛

  • Como ficar rico com o Twitter?

Se você precisa de um incentivo para criar um modelo de jornalismo para serviços de micromensagens como o Twitter, leia esta notícia da CNN que pagou um belo troco ao proprietário da conta @CNNbrk que tem mais de um milhão de seguidores.

Perca um livro de propósito e incentive a leitura

Um serviço da web promete incentivar as pessoas a lerem livros, fazerem seus comentários do mesmo e depois os perderem para que outros os encontrem. O sistema parece simples: acessa-se o sistema e se cadastra o livro colocando o local de onde será perdido, um código é gerado e uma etiqueta impressa com os dados da campanha e do serviço na web para serem colados na primeira página do livro.

Etiqueta Perca um Livro

A etiqueta gerada pelo sistema com o código do livro perdido deve ser anexada no livro

As pessoas acessam o site e descobrem onde os livros serão perdidos e a idéia é que outros os encontrem, leiam e depois os percam novamente, informando o sistema para que terceiros venham a achá-los também. Com isso, cria-se uma rede de leitura de um único livro.

Pensei em fazer um teste e perder um livro para ver se alguém o encontra e depois vir a rastreá-lo no sistema. Mas, confesso que fiquei um tanto receoso ao se tratar de Brasil (segundo o site a prática é internacional). Será que as pessoas que o encontrarem agirão de boa fé e seguirão a prática proposta?

Em Porto há um internauta que promete perder um livro dentro da lotação Menino Deus, veja mais aqui.

Mais sobre o sistema você encontra aqui.

Quem segue quem no seu Twitter?

A giseleh colocou lá no Twitter dela o link para o mapeamento de sua rede de amigos no próprio Twitter. Resolvi fazer o mapeamento da minha rede de contatos no Twitter e o resultado está abaixo (fig.01). O site utilizado foi o TweetWhell e dá para ver, ainda, quais dos seus contatos estão ligados entre si (fig.02).

TWITTER: ambiente paranóico ou social?

O uso dado às ferramentas que estão disponíveis na rede sempre gera uma boa discussão, visto que as pessoas se apropriam cada vez mais de suas funcionalidades para suprirem suas necessidades, anseios ou, simplesmente, para o entretenimento. Acabam por dar usos dos mais inesperados aos sistemas que surgem na Web.

O Twitter é uma destas ferramentas que tem recebido uma atenção diferenciada dos internautas há alguns meses no Brasil. A ferramenta surgiu em 2006 e no ano passado já crescia consideravelmente o número de contas mundo afora. No Brasil, o número de adeptos ao Twitter foi crescer de forma expressiva apenas neste ano.

A idéia inicial da ferramenta é responder a pergunta O que você está fazendo? A resposta/postagem deve ter até 140 caracteres e, mesmo que eu não concorde, o sistema é também conhecido como microblog. Os usuários criam contas para que suas respostas possam ser seguidas por outros. Um tanto paranóico, não?

Mas, o que estaria levando as pessoas a utilizarem tal ferramenta a ponto de disponibilizar a outros contatos, conhecidos ou não, seus afazeres? Formando assim mais uma rede social ligada pelos cotidiano dos internautas.

O uso que dou ao Twitter é basicamente para interação social. Não tenho a intenção de seguir contas de agregadores de notícias, que seria outro uso dado ao sistema para divulgar links de matérias para que possam ser seguidos. Até tentei seguir estes Twitters de notícias, mas acabei desistindo por dois motivos: acho os feeds mais eficientes para essa finalidade; e, também, porque prejudicou que eu seguisse as pessoas das quais acompanho as contas, devido ao grande número de atualizações que o Twitter de notícias fazia.

Porém, o que me interessa para esta postagem é a interação social mencionada acima. Como se dá esta interação social? É neste ponto que, agora, vejo no Twitter uma possibilidade de socialização que eu não possuía na Internet, mesmo nos sites de relacionamentos como Facebook ou Orkut. Aquela paranóia que mencionei de seguir as pessoas e de ser seguido passou a criar a possibilidade de criar o imaginário de um ambiente virtual social para conversar com as pessoas.

Mas, isso é possível? Como se dá este ambiente virtual social?

As pessoas que sigo no Twitter, cerca de 20 contatos, possuem o perfil profissional um tanto parecido com o que escolhi a partir deste ano. Considerando que a academia passou a ser o meu trabalho. Esta vida acadêmica tem exigido uma grande dedicação à leitura, pesquisa e produção de textos para diversos fins científicos. Este é um trabalho solitário, pois exige uma concentração e, também, pelo fato de ver que as pessoas que acompanho, em sua maioria, vieram a Porto Alegre para estudar e passaram a viver só em apartamentos, assim como eu, envoltos de livros, artigos e dados científicos. Então, o Twitter passou a ser uma válvula de escape para que eu possa construir este imaginário de socialização, já que ali recorro em meus tempos de dispersão entre uma leitura e outra, um blog ou outro, um dado ou outro, para simplesmente escrever coisas sem objetivos específicos e, também, para ver o que as pessoas andam fazendo. Por possuirmos perfis semelhantes, é normal que nossos interesses passem a ser o mesmos e, por isso, acabamos por encontrar até informações úteis para os nossos trabalhos, um no Twitter dos outros, como num diálogo qualquer no momento do intervalo da sala de aula que pode ter fundamento ou não. Diria que o Twitter tem cumprido esse papel de intervalo, de momento de socialização, para que eu possa continuar o meu trabalho e não acabe louco por tanto estudo, quando a única interação que tenho para recorrer na maioria dos dias da semana é através da máquina.

Então, além de paranóico, o Twitter estaria cumprindo o papel de terapeuta, amigo? Não sei, mas as pessoas que ali estão, compartilham seus afazeres e que as vezes passam a interagir comigo, em um afazer ou outro, diria que sim, estão cumprindo um papel social em minha vida.

O Twitter serve pra eu me socializar, sem objetivos previamente estabelecidos ou planejados através de metas traçadas.

O Twitter é um ambiente de socialização. 🙂

*exemplo de informação útil neste link vista no Twiiter da Raquel.

Conversando sobre jornalismo e novas mídias

No dia 12 de abril acontece em São Paulo a segunda edição do NewsCamp, uma desconferência sobre Jornalismo. Assim como a Ciranda de Textos, o NewsCamp também teve sua origem na Lista Jornalistas da Web.

Quem não puder ir até São Paulo para participar do evento pode acompanhar a “desconferência virtual”. Desde o final de março, rola blogosfera afora o “Esquenta do NewsCamp!“. A idéia é a de se fazer postagens sobre temáticas que se gostaria ver sendo discutidas no evento, como uma forma de se preparar para as discussões que por lá serão travadas. Além de servir como um ótimo aperitivo do que vai acontecer por lá, também é uma forma interessante de fazer com que pessoas que, como a gente, não terão como estar presentes, também possam participar das discussões.

Então, vamos lá… entrei… er, entramos  (vide rodapé do post) nesta conversa mediante provocação. Sam Shiraishi, do Nossa Via, colocou em pauta a discussão sobre nova e velha mídia, além de comentar um pouco sobre as especificidades do meio online. No post, ela sugere a idéia de que uma mídia absorve a outra, e que a nova geração de jornalistas estaria mais preparada para enfrentar essas mudanças. A partir disso, a Ceila Santos, lá no blog do NewsCamp, sugeriu que a discussão fosse continuada…

Dentro dessa perspectiva, talvez fosse ser interessante discutir no NewsCamp, também, a questão das novas ferramentas para comunicação na web, e no que elas podem influenciar na prática do Jornalismo. Será que o Twitter poderá acabar com o impresso? Será que joguinhos e entretenimento serão a grande tendência do online? As empresas jornalísticas que ficarem de fora das redes sociais terão condições de sobreviver?

A discussão de como a mídia irá lidar com essas ferramentas, e também com as participações espontâneas dos internautas, não deve ser vista como um mal que irá mudar o jornalismo como o conhecemos hoje. As possibilidades de interação entre os meios de comunicação e a sociedade, através das ferramentas da Web, devem ser vistas como uma extensão do jornalismo “tradicional” – um avanço, um complemento. Por exemplo, as contribuições que podem ser feitas nos espaços destinados aos comentários de alguns veículos podem influenciar na pauta desses mesmos veículos. Além disso, os links que alguns sites estão utilizando para blogs que comentam suas notícias através da ferramenta trackback também provocam pequenas mudanças no modo como encaramos as notícias. Este é o caso, por exemplo, dos jornais Público, de Portugal, e La Vanguardia, da Espanha (e muitos outros sites europeus) que utilizam a ferramenta Twingly para disponibilizar de forma automática links das postagens de blogs que fazem referência àquela notícia. A CNN.com usa a tecnologia do Sphere para linkar para posts de blog (conforme comentado pelo Thassius). No Brasil, a própria Agência Brasil já faz algo parecido, listando as notícias “mais blogadas” em sua página inicial (como informado pelo Gustavo D’Andrea). Então, o leitor mais apurado, que procura ver a discussão e repercussão daquela informação na blogosfera, poderá acompanhar as opiniões das pessoas que estão escrevendo e fazendo referência àquele texto. Ou seja, a notícia online já não termina mais na última palavra do texto, mas pode ser apenas o primeiro passo rumo à discussão sobre um tema, que pode ser comentado por qualquer pessoa que possua um blog, ou então, gerar discussões em redes sociais ou servir de pretexto para diálogos no Twitter.

O leitor tem outras formas de interagir com a notícia votando nas que ele julgar melhor, dando de certa forma o seu aval àquela informação. Uma outra forma, porém mais passiva, de voto, seria o seu simples acesso, pois há sites que disponibilizam em suas home pages listas das notícias mais acessadas, que podem acabar influenciando nos clics dos visitantes. Antes, quando se comprava um jornal impresso, as manchetes eram definidas exclusivamente pela redação dos jornais. Agora, o leitor passa a poder influenciar nas manchetes que irão para a capa num simples clicar. Com isso, tem-se conhecimento instantâneo e imediato do que está sendo mais lido pelos visitantes do site, e, mesmo que ainda sejam influenciados pelas manchetes sugeridas pela redação, há a possibilidade de uma notícia que foi julgada de pouca importância para a capa ir parar na página inicial.

Essas são algumas sugestões de assuntos que também poderiam ser abordados lá no NewsCamp. E também daria para discutir no que a interconexão em tempo real poderia contribuir para a prática jornalística – será que a web e suas ferramentas não abriria a possibilidade de construção de redações descentralizadas e produção colaborativa à distância de conteúdo?

Além de participar do Esquenta do NewsCamp!, este post também foi uma tentativa de escrita coletiva. O texto foi elaborado no Google Docs. A autoria de cada frase é indeterminada – o texto inteiro foi escrito por mim e pela Gabriela Zago.  

Moderação de comentários pode inibir a conversação

Quando estava preparando este blog, chegou um momento de sua configuração na plataforma WordPress em que tive de optar pelas questões de moderação de comentários. Tive dúvida de qual opção deveria escolher: a) deixar os comentários livres, sem qualquer tipo de moderação; b) moderar parcialmente, em que o autor do comentário precisaria ter um comentário previamente autorizado e depois poderia comentar sempre; e c) moderar sempre, em que todos os comentários deveriam ser autorizados, indiferente se o comentarista já havia sido moderado antes.

A minha escolha inicial foi a segunda, em que o autor deveria ser moderado uma única vez e liberar seu e-mail para futuros comentários. Optei por essa alternativa por dois motivos: evitar spams; e, principalmente, para ter conhecimento das pessoas que viriam a comentar. Isso tomando por base de que ninguém iria criar um e-mail falso para comentar. Por mais que saiba que existem fakes pela rede, não possuo uma audiência para tal preocupação.

Acontece que comento em blogs há alguns anos e tenho percebido que alguns seguem a mesma linha que eu escolhi, mas que há outros que você precisa ter todos os comentários moderados, indiferente se já havia feito um anterior que tivesse sido autorizado. Importante ressaltar que a maioria dos blogs não têm nenhum tipo de moderação, a não ser a necessidade de informar o e-mail que parece ser padrão da maioria dos blogueiros [acredito ser pela a mesma necessidade que tenho de saber com quem se está falando].

O fato é que essa questão dos comentários serem sempre moderados dificultam a conversação entre os comentaristas dos blogs. Por exemplo, você faz um comentário num post e outros os vão fazendo enquanto o autor do blog não está acompanhando. Então, quando o autor acessa a plataforma do seu blog irá autorizar todos os comentários [ou não] ao mesmo tempo e isso irá dificultar [praticamente impossibilitar] a relação de interação entre os visitantes do referido blog. Os comentários terão a possibilidade de se relacionar apenas com a postagem e interagir com o autor.

Vejo que o autor do blog perde um grande potencial ao moderar os comentários por completo. Pois, já vi e participei de muitos debates surgidos nas caixas de comentários de alguns blogs. Muitas vezes, os debates tomam um foco totalmente diferente do próprio tema do post, mas fica claro a sua importância e contribuição para o debate público.

Estou pensando em liberar totalmente a moderação de comentários do Web Research, mesmo que por enquanto seja necessário ter um único comentário aprovado para continuar comentando. Poderei continuar solicitando o nome e e-mail para saber quem está comentando, apagar os spams e lidar politicamente com os fakes, se surgirem.

Na verdade, nem deveria me preocupar tanto com isso com a audiência que tenho, mas a minha percepção veio de um outro blog que leio, de excelentes postagens, muitas vezes polêmicas, que dariam combustível pra bons debates. Acho que esse autor pode estar perdendo um espaço para discussão e evolução dos temas abordados em suas postagens.

Semanas atrás, fiz três postagens em cima de artigos que li sobre conversação através dos comentários que podem ser interessantes para quem deseja ler sobre possibilidades de interação e discussão existentes nos blogs. Os posts são “Conversação na Web é possível”, “Comentários possibilitam conversação” e “Comentários ocupam 30% da blogosfera“. Os três têm referências de alguns autores. Porém, nem todo o espaço de comentário irá gerar debates. A minha opinião de um dos motivos disso pode ser lida no post “Não Concordo” que publiquei em meu blog anterior.

Comentários possibilitam conversação

Raquel criou um Wiki com referências de artigos científicos que têm como tema os blogs no Brasil. Na relação, já se pode encontrar produções desde o ano 2000 do assunto. O artigo “Escritores de Blogs: Interagindo com os Leitores ou Apenas Ouvindo Ecos?“, de autoria de Flávia Di Luccio e Ana Nicolaci-da-Costa, chamou-me a atenção por tratar de dois aspectos que estou trabalhando em minha monografia da especialização e que, também, irei pesquisar no mestrado que são: a Interação Mediada por Computador; e, os comentários nos blogs.

As autoras dividem a escrita em quatro cenários, partindo dos pergaminhos da Antigüidade grega e romana até a revolução digital na contemporaneidade, quando a nova plataforma passa a ser a tela do computador. Referindo-se a Chartier, explicam que os leitores precisavam das duas mãos para segurar o papiro e que isso os limitava a escrever durante a leitura. Assim, como o escritor que viria a utilizar de uma outra pessoa, o escriba, para produzir seus textos que eram ditados. Depois, surgiram os livros manuscritos, denominados de códice. Revolucionários para a escrita e leitura da época permitindo se ler e escrever ao mesmo tempo, já que se podia folhar os cadernos como os livros atuais. No século XV, surgiu a imprensa de Gutenberg e foi quando se pode popularizar a escrita, pois os custos e tempo de produção caíram consideravelmente. Mas, elas destacam que, segundo Chartier, o fundamento de produção e leitura continuavam muito próximos dos suportes anteriores que eram baseados na “distribuição do texto na superfície da página, numerações, índices, sumários” (P. 667).

Esses aspectos do suporte técnico de produção e leitura se tornam essenciais para que se compreenda a questão da revolução digital que virá para possibilitar a interação entre autores e leitores. Segundo as autoras, nos suportes anteriores “não há a possibilidade de leitores e escritores se comunicarem” (P. 667). As opiniões e críticas dos leitores podiam ser inseridas apenas em espaços secundários e limitados, como as margens, folhas em branco ou contracapa. Nesse ponto, compreendo que as autores foram um pouco radicais em afirmar que a comunicação não era possível. O leitor poderia enviar uma carta com seus comentários ou mesmo discutir presencialmente suas opiniões. No entanto, a possibilidade de se obter uma interação no mesmo suporte, como na tela do computador, influenciando avanços no processo de produção foi muito bem ressaltada por elas. No momento em que autor e leitor interagem no mesmo suporte técnico se torna possível a conversação entre eles.

Na visão de Chartier (1999), a revolução digital gerou mudanças muito mais radicais do que a revolução da imprensa por diversos motivos. Entre esses motivos, estão os de que a tela do computador: (a) permite que qualquer texto seja lido ou escrito em um mesmo e único suporte textual; (b) gera o desaparecimento dos critérios imediatos, visíveis, e de materiais de classificação e hierarquização dos discursos (paginações, indexações, citações, notas de pé de página, capítulos ou anexos); (c) faculta o surgimento do hipertexto, ou seja, de um texto não linear, não seqüencial e repleto de links que remetem a outros textos, e (d) inaugura a possibilidade de diálogo entre leitores e escritores. (P. 667)

Os comentários em blogs possuem tais características e por esses motivos possibilitam a interação entre leitores-autores e leitores-leitores. A comunicação entre essas partes pode chegar ao nível de não se ter um único autor do texto, onde surgirá a questão da cooperação, que segundo as autoras foi inaugurada com esse novo suporte textual.

É a tela do computador como suporte textual que inaugura a possibilidade de diálogo (e/ou cooperação) entre escritores e leitores, diálogo esse que pode ocorrer no espaço do próprio suporte. Segundo Chartier (2002), essa inovação é tão radical que faz com que os leitores possam se transformar em co-autores, dado que seus comentários e intervenções podem chegar aos escritores rápida e diretamente, sem passar por intermediários como antes. (P. 667-668)

Então, através de blogs se pode ter uma nova concepção de produção textual e os comentários passam a ser ferramentas de extrema importância para que isso ocorra. Mas, uma das principais questões da pesquisa das autoras era identificar até que ponto os autores dos blogs estavam aproveitando essas possibilidades.

Os resultados delas trazem questões interessantes. Como a da importância dos comentários para os autores dos blogs pesquisados continuarem postando. A pesquisa identificou que um dos principais motivos que leva a manutenção dos blogs é a facilidade de que eles têm de publicar textos sem restrições. Ou seja, como as próprias autoras salientam, a liberdade de expressão possibilitada em blogs leva as pessoas a manterem seus espaços atualizados. “Escrever sem restrições ou regras pré-estabelecidas é, portanto, um grande atrativo que os blogs oferecem” (P. 671).

[…] os participantes da pesquisa apontaram como importante para a criação e manutenção de seus blogs é a possibilidade de saber a opinião de seus leitores. Em sua visão, o blog é um ambiente propício, não somente para publicar com liberdade mas também para interagir com os leitores e conhecer pessoas. (P. 672)

Mas, outro resultado traz a tona uma questão, que diz respeito à possibilidade de se ter a opinião a respeito do textos publicados, de se interagir com os leitores. Nesse aspecto, todos os autores pesquisados deixaram claro que não gostam de receber críticas e, alguns, raramente respondem os comentários. Porém, essa não seria uma das grandes vantagens que os levava a publicar?

Essa contradição me faz entender que as pessoas, antes de pensarem em textos coletivos e geração de debates na rede, possam estar buscando exclusivamente por reputação, já que desejam ter seus textos lidos e comentados, desde que sejam elogiados. No artigo, podem ser encontrados depoimentos dos autores pesquisados com expressões do tipo “putaço” ao se referir ao sentimento em relação a uma crítica.

A última questão que saliento do artigo é quanto ao uso dos comentários como um termômetro de popularidade mencionado pelos entrevistados. Se eles estivessem realmente preocupados apenas em saber isso e que os comentários são o que possibilitam essa mensuração, bastaria verificar as estatísticas dos blogs para saber quantas pessoas estão lendo seus textos. O que reforça a hipótese de que esses autores buscam  por reputação na rede.

Mas, é importante ficar claro que esses resultados foram abordados em cima do artigo mencionado. Pois, eu acompanho alguns blogs onde encontro todas essas possibilidades de conversação e trocas mencionadas com grande freqüência. Já vi blogueiros mudarem de opinião em verdadeiros debates online nas caixinhas de comentários e, ainda, estimularem críticas aos seus textos.

O certo é que fico contente em ler esse artigo, por ver que há muito a ser discutido e estudado nesse tema, como as próprias autoras sugerem, confirmando algumas da minhas idéias ao mesmo tempo que me deixam com muitas dúvidas da tendência do uso dos blogs pela sociedade.


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