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Publicar ou interagir no jornalismo: serviço interativo de micromensagem não é microblog

A revista eletrônica Fantástico da TV Globo passou a contar com atualizações no Twitter desde o dia 8 deste mês, mas somente ontem, após uma reportagem sobre mídias sociais no próprio programa, parece que o grande público teve conhecimento do novo perfil, já que o serviço ficou instável momentos após a reportagem. Isto sempre ocorre quando alguns fatos levam a um elevado fluxo de internautas ao serviço de micromensagens.

Desde maio de 2008, quando escrevi sobre o uso dado ao Twitter e criticava as contas agregadoras de notícias, já via o serviço como um serviço de micromensagens destinado à interação e não como um microblog. Na Intercom de 2008, ao apresentar meu trabalho que discutia relações sociais em ambientes virtuais, falei de diferenças entre sistemas de micromensagem que apontavam essa interação entre os internautas, uns com maior conversação e grupos menores (Plurk) e outros com menor diálogo (Twitter), mas com grande interação entre os interagentes através de trocas de informações em grupos maiores. As atualizações dos twitteiros/plukeiros são feitas com a intenção principal de interagir, mesmo que muitos utilizem para divulgar links dos próprios blogs (como eu mesmo fiz ao término desta postagem), a maioria dos links divulgados são na intenção de compartilhar e não apenas de criar reputação na rede.

Essa diferença entre postar um texto num blog e fazer-se atualizações num serviço online na intenção de interagir, mesmo que a interação não seja a conversa [penso aqui na interação reativa ou mútua (Primo, 2007)], é o que diferencia os serviços de micromensagens dos blogs que já percebia no meu próprio uso dado ao Twitter desde 2007.

Esta diferença entre postar e interagir é o que vejo necessário ser percebido pelos veículos de comunicação que desejam utilizar os serviços de micromensagens como canal de comunicação com sua audiência.

Era o primeiro anuncio da criação da conta no próprio Fantástico, que já deixava claro desde sua primeira atualização que, provavelmente, seguirá o mesmo uso dado ao Twitter por outros Meios de Comunicação de Massa (MCM). Na bio do perfil @showdavida, vê-se que servirá para divulgar novidades e bastidores do programa e do site do Fantástico.

O fato do Twitter baleiar durante o anuncio da conta aponta algumas premissas que tenho com os mídias. Os MCM ainda são mais importantes na divulgação de informações para grandes audiências. Mesmo que twitteiros de plantão já estivessem falando no Twitter da reportagem que iria ao ar momentos antes da transmissão, foi após o anúncio do endereço twitter.com/showdavida por Zeca Camargo que o perfil passou a receber novos seguidores.

Momentos antes da reportagem ser transmitida na TV, o perfil do Fantástico possuía 1293 seguidores, cerca de duas horas depois eram 3120 e hoje até 12h e 8min o número subiu para 4651.

Conta @showdavida antes da reportagem na TV

Conta @showdavida antes da reportagem na TV

Certamente, se todos esses cerca de cinco mil seguidores acessassem ao mesmo tempo a conta do Fantástico, o serviço do Twitter não ficaria instável, mas essa diferença mostra que muito mais internautas foram até o perfil do programa naquele momento que trancou o serviço, também mostra que a maioria não passou a seguir a conta @showdavida.

Conta @showdavida 2h após a reportagem na TV

Conta @showdavida 2h após a reportagem na TV

O fenômeno ocorre por dois motivos. A maioria das pessoas que chegaram até o endereço anunciado pelo apresentador nunca havia ouvido falar no Twitter e, obviamente, não possuía conta para seguir o @showdavida, como o próprio Zeca parecia não saber, pois deu a entender que era necessário estar cadastrado no Twitter para acessar o endereço no final da reportagem.

Qualquer twitteiro já sabia que para acessar a página não é necessário estar cadastrado e que a criação da conta é necessária para que se forme a rede de seguidos e seguidores. O fato é que a maioria dos brasileiros que navega pela Internet sequer sabia da existência do Twitter até sua divulgação no Fantástico, quem dirá informações básicas do serviço.

Porém, por que aqueles já twitteiros que acessaram o perfil @showdavia não passaram a seguir as atualizações do Fantástico? Não há dúvida que os primeiros a acessar a conta em seguida à reportagem na TV foram eles, como também não tenho dúvida que foram milhares deles aqui no Brasil. Mas, então, porque que esses milhares não passaram a seguir a conta do Fantástico?

  • Show da Vida 2009

Tenho acompanhado o Fantástico há alguns domingos para verificar as mudanças prometidas para a programação de 2009 e já percebo as reportagens mais aprofundadas, excluindo essa das mídias sociais pois acho que faltou atenção a alguns pontos, mas que também não me sinto no direito de criticá-la, já que é destinada para a massa. Não que eu não seja massa, pois todos somos receptores de massa em algum momento, como na reportagem sobre a doação dos órgãos na semana passada, quando achei o máximo a forma como foi explicado o diagnóstico de morte cerebral, entendi que a reportagem atingiu seu objetivo frente à sua audiência de massa. Por outro lado, a minha irmã criticou que outros pontos da medicina precisavam ser ressaltados. Mas, ela é médica e creio que tais pontos sejam no mesmo nível dos que eu senti falta na reportagem dos mídias sociais por pesquisar esses serviços. São essas mudanças que tenho percebido nas reportagens do fantástico que também são necessárias nos meios digitais.

Ontem a massa do Fantástico teve acesso à conta @showdavida, os próprios twitteiros tomaram conhecimento ao mesmo tempo, mas pouquíssimos passaram a seguir o perfil. Isto ocorre porque o Fantástico está vendo o serviço como uma novidade para a sua massa e manteve o mesmo formato que vejo na maioria das contas de veículos jornalísticos no Twitter, de divulgação de informações da sua própria produção. Continua sendo um canal de única-via um-todos. Estão vendo o Twitter como um blog, destinado primeiro à postagem de textos e depois a interação quando permitidos os comentários.

  • Interação, não publicação

Como já discutido no início deste texto e em outra postagem, é necessário que o jornalismo no Twitter perceba que o grande potencial desse serviço está na interação entre seguidos e seguidores. O @showdavida não pode vir com o formato de apenas ser seguido se deseja ter um canal interativo com sua audiência, necessita seguir e interagir, ouvir mais e dizer menos. Pois este é o principal motivo pelo qual eu não sigo nenhum serviço de notícias no Twitter, pois eles publicam muitas atualizações que encheriam minha página de links. Como já falei antes, pra isso eu uso os Feeds.

Se o @showdavida tivesse publicado perguntas aos seguidores, dado a oportunidade de participação deles no programa na TV através do Twitter, entre outras formas de interação, eu mesmo passaria a seguir a conta. Mas, vale lembrar que essas possibilidades de interações têm de ser importantes ao internauta, pois são vários os exemplos de sistemas e redes que não tiveram sucesso pelo fato do internauta não encontrar uma utilidade que o fizesse manter-se no serviço. Dessa mesma forma, o twitteiro não manterá uma relação interativa com outros caso essa relação não seja importante ou útil para ele manter o vínculo.

Os twitteiros como eu que chegaram até a conta do Fantástico e não passaram a seguí-la, provavelmente pensaram que era mais uma conta de um MCM no Twitter.

O Fantástico precisa de um serviço de micromensagem para interagir e ouvir mais, não apenas para falar dos “bastidores” e “novidades” como num blog. Tem que ser um serviço de micromensagem interativo e não um microblog. A propósito Zeca Carmargo, mesmo que eu tenha deixado claro e escrito que não concordo com isso há mais de um ano, o que andam chamando o Twitter por aí é de Microblog e não Miniblog. 😛

  • Como ficar rico com o Twitter?

Se você precisa de um incentivo para criar um modelo de jornalismo para serviços de micromensagens como o Twitter, leia esta notícia da CNN que pagou um belo troco ao proprietário da conta @CNNbrk que tem mais de um milhão de seguidores.

Quem segue quem no seu Twitter?

A giseleh colocou lá no Twitter dela o link para o mapeamento de sua rede de amigos no próprio Twitter. Resolvi fazer o mapeamento da minha rede de contatos no Twitter e o resultado está abaixo (fig.01). O site utilizado foi o TweetWhell e dá para ver, ainda, quais dos seus contatos estão ligados entre si (fig.02).

TWITTER: ambiente paranóico ou social?

O uso dado às ferramentas que estão disponíveis na rede sempre gera uma boa discussão, visto que as pessoas se apropriam cada vez mais de suas funcionalidades para suprirem suas necessidades, anseios ou, simplesmente, para o entretenimento. Acabam por dar usos dos mais inesperados aos sistemas que surgem na Web.

O Twitter é uma destas ferramentas que tem recebido uma atenção diferenciada dos internautas há alguns meses no Brasil. A ferramenta surgiu em 2006 e no ano passado já crescia consideravelmente o número de contas mundo afora. No Brasil, o número de adeptos ao Twitter foi crescer de forma expressiva apenas neste ano.

A idéia inicial da ferramenta é responder a pergunta O que você está fazendo? A resposta/postagem deve ter até 140 caracteres e, mesmo que eu não concorde, o sistema é também conhecido como microblog. Os usuários criam contas para que suas respostas possam ser seguidas por outros. Um tanto paranóico, não?

Mas, o que estaria levando as pessoas a utilizarem tal ferramenta a ponto de disponibilizar a outros contatos, conhecidos ou não, seus afazeres? Formando assim mais uma rede social ligada pelos cotidiano dos internautas.

O uso que dou ao Twitter é basicamente para interação social. Não tenho a intenção de seguir contas de agregadores de notícias, que seria outro uso dado ao sistema para divulgar links de matérias para que possam ser seguidos. Até tentei seguir estes Twitters de notícias, mas acabei desistindo por dois motivos: acho os feeds mais eficientes para essa finalidade; e, também, porque prejudicou que eu seguisse as pessoas das quais acompanho as contas, devido ao grande número de atualizações que o Twitter de notícias fazia.

Porém, o que me interessa para esta postagem é a interação social mencionada acima. Como se dá esta interação social? É neste ponto que, agora, vejo no Twitter uma possibilidade de socialização que eu não possuía na Internet, mesmo nos sites de relacionamentos como Facebook ou Orkut. Aquela paranóia que mencionei de seguir as pessoas e de ser seguido passou a criar a possibilidade de criar o imaginário de um ambiente virtual social para conversar com as pessoas.

Mas, isso é possível? Como se dá este ambiente virtual social?

As pessoas que sigo no Twitter, cerca de 20 contatos, possuem o perfil profissional um tanto parecido com o que escolhi a partir deste ano. Considerando que a academia passou a ser o meu trabalho. Esta vida acadêmica tem exigido uma grande dedicação à leitura, pesquisa e produção de textos para diversos fins científicos. Este é um trabalho solitário, pois exige uma concentração e, também, pelo fato de ver que as pessoas que acompanho, em sua maioria, vieram a Porto Alegre para estudar e passaram a viver só em apartamentos, assim como eu, envoltos de livros, artigos e dados científicos. Então, o Twitter passou a ser uma válvula de escape para que eu possa construir este imaginário de socialização, já que ali recorro em meus tempos de dispersão entre uma leitura e outra, um blog ou outro, um dado ou outro, para simplesmente escrever coisas sem objetivos específicos e, também, para ver o que as pessoas andam fazendo. Por possuirmos perfis semelhantes, é normal que nossos interesses passem a ser o mesmos e, por isso, acabamos por encontrar até informações úteis para os nossos trabalhos, um no Twitter dos outros, como num diálogo qualquer no momento do intervalo da sala de aula que pode ter fundamento ou não. Diria que o Twitter tem cumprido esse papel de intervalo, de momento de socialização, para que eu possa continuar o meu trabalho e não acabe louco por tanto estudo, quando a única interação que tenho para recorrer na maioria dos dias da semana é através da máquina.

Então, além de paranóico, o Twitter estaria cumprindo o papel de terapeuta, amigo? Não sei, mas as pessoas que ali estão, compartilham seus afazeres e que as vezes passam a interagir comigo, em um afazer ou outro, diria que sim, estão cumprindo um papel social em minha vida.

O Twitter serve pra eu me socializar, sem objetivos previamente estabelecidos ou planejados através de metas traçadas.

O Twitter é um ambiente de socialização. 🙂

*exemplo de informação útil neste link vista no Twiiter da Raquel.


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